Não, não venho falar de Guevara ou Castro… nem tão pouco, na perspectiva de um madeirense, de nenhuma “revolta” que possa estar a acontecer por estes lados do “continente”.
Apenas e tão só trazer uma nota sobre um dos mais recentes “projectos piloto” do Ministério da Educação que arrancou este ano lectivo, precisamente, na vila de Cuba, no Alentejo.
Isto porque no agrupamento de escolas de Cuba, os livros escolares foram substituídos por “tablets”, num projecto também “apoiado” por uma conhecida editora de livros escolares.
Como acérrimo defensor das novas tecnologias, fico naturalmente satisfeito com a iniciativa … que até será acompanhada pela Universidade Católica.
Entidade que, segundo consta, conseguirá produzir os primeiros resultados deste “estudo” dentro de… 3 anos!
Mas não deixo de constatar que, no entretanto, apenas em Cuba as crianças poderão deixar de carregar o peso de todos aqueles manuais escolares dia após dia. Assim como apenas os pais daquelas “cobaias” poderão poupar umas centenas de euros em manuais escolares todos os anos…
Sim, porque temos de entender que isto de autorizar a introdução da tecnologia nas salas de aula não pode ser naturalmente uma decisão de ânimo leve. Afinal, não se sabe se a capacidade de se manter concentrado à frente de um “tablet” será a mesma quando estamos perante um livro, ou se pura e simplesmente é no voltar das páginas que está parte do segredo das aprendizagens…
Ora, o que me espanta é que a sociedade que, nos mais diversos âmbitos, adopta expontaneamente as novas tecnologias, acabe por não se ver reflectida nas instâncias decisoras. Seja na educação “formal” (pois não podemos esquecer que grande parte do processo educativo é “informal”) ou, numa área que me é próxima, na competição desportiva, onde o “meu” Futebol é (provavelmente) o caso mais conservador.
Não defendo que já amanhã todas as crianças sejam obrigadas a levarem um “tablet” em substituição dos seus manuais escolares. Mas sou claro a defender o direito a essa opção por quem o entender para os seus educandos, bem como a necessidade de estudos muito mais céleres para podermos avançar com projectos de natureza social neste âmbito.
Porque, hoje em dia, o avanço tecnológico é tão veloz que considerar um lapso temporal de “3 anos” é quase garantir que os resultados do estudo apenas terão interesse para… um museu!
Nelson Caldeira