No calor da campanha para as Autárquicas intrometeu-se uma jornada da I Liga, em futebol. Sempre deu para desanuviar, ainda para mais com uma estranha antecipação do ‘nervoso miudinho’ que costuma aparecer lá mais para diante, quando se vislumbram as jornadas finais do campeonato. Bem ou mal, uma grande fatia do povo português promove os treinadores das principais equipas de futebol a principais figuras nacionais. Nós escutamo-los, mesmo sem querer, à quinta, à sexta, uma meia dúzia de vezes ao sábado e ao domingo, e outra dezena à segunda-feira, enquanto nos preparamos para o que eles voltarão a dizer na próxima quinta, iniciando assim um novo ciclo... É um fenómeno! Nem o Presidente da República, nem Primeiro-Ministro, conseguem ser ouvidos com a mesma regularidade, o que acaba por ser uma vantagem para a maioria dos portugueses. Pena é que não se consiga colocar o presidente do GR com essas mesmas limitações. Porque faço parte dos que escutam os treinadores de futebol, achei interessante analisar as suas ‘comunicações ao País’, após a jornada do passado fim-de-semana. E tudo girou à volta, imagine-se, dessa grande tirada inicial de Jorge Jesus, condicionando as outras ‘comunicações ao país’. Esse grande ‘orador’, em que transformámos o treinador do Benfica, balbuciou qualquer coisa como “as outras equipas estão a ser beneficiadas pelos árbitros”. Vieram os jogos, o Sporting empatou em ‘casa’, o FC Porto empatou no Estoril e o Benfica ganhou em Guimarães. Jogos com muitos erros de arbitragem, mas as TV’s e os jornais seguiram à risca as ‘comunicações ao País’ dos treinadores e só falam e mostram os erros que prejudicaram Sporting e FC Porto. Foi neste ambiente fantástico que Paulo Fonseca deu o primeiro grande sinal de que já sabe para quem trabalha: foi ao ‘flash interview’ e repetiu depois na conferência de imprensa que o Jesus tinha conseguido intervir em três jogos! Uma tirada com muita piada, mas que retirada do seu verdadeiro autor – Pinto da Costa – acaba por perder muito do seu encanto. Para a coisa ganhar alguma dignidade, apareceu Leonardo Jardim. Igual a si próprio, e ainda pouco dependente da ditadura de que ‘o futebol é Benfica, Porto e Sporting e o resto é paisagem’, o madeirense foi o mais genuíno e o mais honesto: “é uma hipocrisia os três grandes falarem de arbitragens”. Isto promete! Lá para quinta ou sexta temos mais ‘comunicações ao País’. A não perder!