A crise do dirigismo desportivo já foi anunciada após a II Grande Guerra, com particular enfase na Europa, onde a motivação para o desempenho das tarefas de dirigente era inconstante, ora entravam ora saiam. Já na altura, a sobrevivência, era palavra de ordem e os “velhos do restelo” eram fiéis às suas crenças e felizmente, em muitos casos, aguentaram as tormentas para algumas portas estarem abertas nos dias de hoje.
Em Portugal e baseado em dados de 2010, o número de atletas federados era de 450 mil, sendo um dos números menos animadores da Europa mas, a tendência do crescimento dos utentes da prática desportiva de lazer tem aumentado, numa procura desenfreada pela criação de hábitos regulares da atividade física e para a ocupação dos tempos livres.
O sedentarismo da população portuguesa leva a que muitos sejam “empurrados” pela “imposição” médica para travar as “batalhas” a favor da saúde, enquanto outros procuram um newlook primando pela estética.
Esta nova tendência abriu um novo nicho de mercado para os ginásios e para os clubes. Como costuma dizer o bom português “mais vale tarde do que nunca…”
Os investimentos por parte das autarquias e dos governos crescem no sentido de proporcionar melhores condições, públicas, para esses pseudodesportivas, com a criação das promenades, das ciclovias, dos parques ao ar livre com aparelhos de ginástica. E, os clubes e associações, readaptam as suas instalações para estas novas oportunidades.
Assim, cada um à sua maneira, vai fazendo a sua prática para permitir uma melhor condição e o leque de opções já é grande e não descrimina ninguém.
Aqui, também, os dirigentes desportivos desempenham novos papéis… outrora, marcavam e desmarcavam jogos e viagens, agendavam competições, preocupavam-se com os materiais… agora, também, planificam atividades e organizam iniciativas abrangentes que ultrapassam o setor federado e que muitas vezes, conseguem conviver em paralelo.
Os persistentes que “teimam” em continuar com a paixão pelas coletividades que, dia após dia, vêm as suas conquistas menos ambiciosas, podem tirar dividendos desta presença, pois estão na “forja” novos líderes para darem um contributo à causa.
Marcelo Gouveia