Da semana marcada pelo frenesim eleitoralista e inúmeras ansiedades governativas, ficam sob suspeita:

O esbanjador de fortunas. A Europa e o governo nacional têm repetido que o dinheiro fresco que aí vem até 2020 deve ser canalizado para a criação de emprego. Ora, a malta dos caprichos que enriqueceu com a política, obstinada em empregar os seus e ter o povo como escudo, não está para aí virada. Já vai dizendo que os milhões de euros que vierem são para finalizar obras por concluir, logo, por inaugurar. Será pedir muito à União que mande à Região um comissário que, em vez de se deixar embalar por vinho, bolo do caco e broas de mel, zele pelos interesses do povo?

O pseudo governo. O executivo em exercício passa parte do dia em ‘serviço’ externo, ocupado com inaugurações, excursões, visitas, exposições e vícios. No tempo que sobra fica pelos gabinetes. Entre uma sesta, alguns despachos e muita espionagem, aprova fichas de militante previamente seleccionadas pelo ‘abre portas’, redige discursos iguais e combina viagens retemperadoras. E o povo, que só lhes interessa por estes dias, a pagar.

Os colunistas políticos. Não há dia em que muita dos ‘protagonistas’ a quem foi dado espaço nobre e oportunidades que nunca haviam tido não confunda opinião com apelo ao voto, ideias com ofensas e notícias com ambições pessoais. Custa assim tanto interiorizar que jornalismo não é propaganda?

Os políticos das queixinhas. São muitos e de todas as cores. Medem notícias a metro, reclamam do enquadramento das fotos, reclamam da mancha gráfica, questionam critérios e pedem o impossível. Não sabem distinguir sondagens de resultados eleitorais, pressionam sem razão e julgam-se intocáveis. Que seria desta malta que, comprovadamente, só pensa em si e prepara golpadas internas, que quer votos sem olhar a meios, se não fosse a imprensa livre?

Os carreiristas. Não cabem no infindável espaço digital. Os que julgam que o cantor Tony é candidato a presidente da Câmara, que o contorcionista Jardim é quem paga as festas e que Miguel Albuquerque sempre colocou os interesses dos eleitores acima de tudo que o digam.

Os kamikases. Toda a gente sabe que os madeirenses chegaram sem culpa à beira do abismo. Neste contexto, ouvir o presidente do governo dizer que a “Região tem grandes passos para dar” é, no mínimo, arrepiante. Se ainda fosse um salto!

Os gestores de escolas. Se tiveram várias semanas para testar horários e articulá-los com professores e salas disponíveis porque é que dias depois de começarem as aulas continuam a mudar o que já estava acertado? Se têm o contacto dos encarregados de educação porque é que fazem várias opções em nome dos alunos, algumas das quais contra a indicação dada na matrícula, sem lhes darem conhecimento prévio? Não estarão a adiar o que é importante e dessa forma a enganar alunos e famílias? Não estarão a desenhar ‘cursos’ para satisfazer ‘caprichos’ de alguns? A ânsia de sobreviver não explica tudo.