Acordei com um grito dilacerante como o da pintura do artista norueguês Edvard Munch. Decorria o ano 2017 e vagueava pelos caminhos estreitos de uma pequena aldeia. Na minha caminhada não encontrei crianças a correr e a saltar como era costume, nem ouvia as irreverentes gargalhadas dos jovens, somente encontrei velhinhos sentados a contar o tempo e a pedir o consolo de quem por ali passava.

Quando surgiu um segundo grito apercebi-me de que afinal não estava a dormir, mas sim bem desperta e continuando a viver na mesma ilha onde o regime instalado governa sucessivamente há mais de trinta e cinco anos. Pensei que se nestas eleições autárquicas nós madeirenses votarmos para alterar esta má gestão dos dinheiros públicos e não mantendo religiosamente os mesmos hábitos, o nosso futuro ficará com certeza cada vez mais comprometido e próximo do meu pesadelo.

Os jovens continuarão a emigrar devido á falta de emprego ao contrário daqueles que, em minoria fazendo parte do regime, vão usufruindo de regalias de que se apropriam à custa de quem legitimamente teria direito.

Os madeirenses estão cada vez mais envelhecidos, pobres e isolados e por estas razões necessitam urgentemente de uma forte mudança de valores para que possamos combater o mal instalado, sendo que a vitória do povo está com certeza dentro de cada um de nós e só de nós dependerá.

Assim, espero que após estas próximas eleições de vinte e nove de setembro, não voltemos a ouvir os habituais comentários de café: nada mudou nesta terra!

Não basta opinar é preciso votar! Numa das mais recentes entrevistas publicadas neste diário é referido que até os mortos votam, ao contrário de muitos vivos que têm o pleno direito de votar e não votam.

Vote nas próximas eleições autárquicas de 2013. Cumpra o seu dever cívico!

Patrícia Sumares