António Olim Em resposta à incompreensível carta do Sr. Padre Martins, impõe-se o seguinte comentário: 1 - No dia 17 de Setembro/2013 a Câmara de Machico prestou uma justa homenagem aos ex-combatentes, porque entendo que a justiça e a gratidão devem ser qualidades intrínsecas da natureza humana. Infelizmente sabemos bem que nem sempre é assim, como demonstram as palavras do Sr. Padre.
Com esse, simples, mas sentido gesto, Machico homenageia os ex-combatentes, especialmente os naturais do concelho, que serviram a pátria no ultramar.
Homenageamos os que perderam a vida na defesa da Pátria, mas também, os que voltaram e que ainda hoje têm marcas profundas da guerra gravadas no corpo e entranhadas na alma.
Homenageamos, igualmente, as muitas famílias que sofreram e foram destruídas em nome duma guerra que nunca compreenderam.
2 - Tal homenagem foi-nos proposta, há cerca de quatro meses, pelo Sr. presidente da liga, tenente coronel Arlindo Laureano (será que há nesse pedido algum aproveitamento politico?). Aceitamos prontamente, porque embora vindo tarde é mais do que justa.
3 - O Sr. Padre Martins, num aproveitamento político inqualificável, mistura o que não se pode misturar. Mistura princípios e valores com questões menores e mesquinhas.
As suas palavras são uma ofensa aos ex-combatentes e principalmente à memória dos que tombaram em nome da pátria. São uma ofensa às muitas famílias destruídas por causa da guerra.
Lamento que um homem, padre e ex-combatente, que se diz um lutador pela justiça e pela liberdade, não tenha tido o discernimento de distinguir um gesto de justiça das questões políticas.
Um homem que se diz lutador pela igualdade, justiça e liberdade, afinal é igual a muitos Homens. Que ofende um colega sacerdote e me acusa de lacaio por homenagear quem merece.
O Sr. Padre quer esquecer, mas há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que não esquece, há sempre alguém que quer “que a memória não se apague”.
O gesto fica, as suas palavras são só isso, apenas palavras…
3 - Queremos também que o monumento erigido seja um apelo à Paz no mundo. De Machico para todo o mundo.
Não concordo que para alcançar a paz seja preciso a guerra. Duvido que hajam guerras justas. Não tenho dúvidas que o mundo seria com certeza melhor se não houvessem conflitos nem guerras.
Tem forçosamente de haver outras alternativas. Porque a guerra é sofrimento, é destruição e morte. E não é isso que queremos para a humanidade.
O engenho e a arte do Homem têm de ser posto ao serviço da paz e não da guerra.