Não é fácil arranjar assunto para ocupar um bocadinho do DN depois de uma semana mais comprida de férias. Ainda por cima no P. Santo, onde o sol resolveu também fazer férias no final de Agosto, com a chuva e o vento fresquito a obrigar a usar roupa mais comprida que não levei. Talvez por isso não estive presente na inauguração da ilha ecológica, nome pomposo para seis baldes de lixo em inox com abrigo hidráulico que o presidente do governo regional estreou. É impressionante que, mesmo em férias, o homem tenha tempo para o ambiente, entregar casas e abrir o “outlet”, depois de inaugurar o porto das salemas (que não tem quase nada) onde só vai de todo-o-terreno, quando poderiam ter feito bem melhor na serra de fora onde há piscinas naturais, praias e belezas naturais de encantar. O Porto Santo está sempre lindo, mas quem lá vive sabe as dificuldades que esta crise traz. Nunca vi tanta queixa pelo desemprego, tanta barraquinha a vender uvas, biscoitos, capelas. E voltou-se aos anos oitenta, com filas para isto e aquilo, parece a “cobra” das lambecas (com cartaz luminoso novo), a que se juntou a “cobra” dos crepes. Mas há fartura de iluminação para os lados da urbanização do campo de golfe onde, por sinal, não passa vivalma à noite. E fartura de candidatos à Câmara, nos cartazes são só carinhas “larocas”. Admira-me mesmo o que faz correr tanta gente para gerir municípios quando todos se queixam que não podem fazer nada porque não há dinheiro. Autênticas guerras para gerir empresas falidas?! Ou será que não estão tão falidas assim? No Porto Santo paga-se a água bem cara, o IMI nem se fala e os parquímetros escaldam. Passa-se o mesmo com algumas câmaras da Madeira. E há quem diga que as contas estão de saúde. Porquê manter o sacrifício dos munícipes quando a edilidade poderia dar uma folga nas contas dos cidadãos?! E porquê deixar, por exemplo, a fundação do PSD tanto tempo sem pagar a água, quando há gente por aí que pede esmola para beber o precioso líquido? Como outras empresas que só se descobre que não pagam a água há muitos meses quando estão insolventes, tesas, pobrezinhas. E como determinados clubes que contratavam estrangeiros e penduravam as faturas da câmara. E quando se descobrirem as da luz, a segurança social, o IRC? Que negligência é esta dos responsáveis das edilidades que não cobram às grandes empresas e grupos económicos, atacando o pobre do cidadão que anda na margem do salário mínimo?! No fim do mês há votos, até lá as coisas começam-se a ver. Vai haver dinheiro para estradas, viagens para os idosos, iniciativas das juntas. A caça ao voto vai intensificar-se. São partidos, coligações, independentes (salvo seja). Vai haver cimento, telhas, cabazes. Todos eles recebem verbas para campanhas e oferecem canetas, camisolas, aventais. Os que ficam arranjam sempre mais uns euros para satisfazer os pedidos deste ou daquele, até interpretam a lei de forma a prorrogarem mandatos. Os que querem para lá ir criticam exatamente isso, mas quando lá estão fazem a mesma coisa. E nós pagamos. Todas as eleições saem-nos do bolso e nós mantemos a tradição que é votar e lamentar. Cada vez menos, é verdade. Mas vamos sempre lá, na esperança de mudar qualquer coisa. E o que muda é o presidente desta câmara que vai para presidente daquela porque já atingiu o limite de mandatos. Tal como no governo, onde um secretário muda de pasta e passa a especialista de outra. São os profissionais da política e eles lá sabem porque é que ficam…quase sempre.
Paulo Gomes