Num início de campeonato que não augurava facilidades, o Marítimo conseguiu ultrapassar os dois primeiros grandes obstáculos sem ficar amachucado. Uma vitória sobre o Benfica e uma derrota (natural) com o FC Porto é um saldo francamente positivo. Mas, se o triunfo sobre os ‘encarnados’ lançou algum sentimento de euforia nas hostes verde-rubras, o jogo no Dragão serviu para colocar a nu as limitações que o plantel sob as ordens de Pedro Martins ainda detém. Naturalmente que, face a um início de Liga francamente desfavorável, Pedro Martins levou grande parte da pré-temporada a preparar a equipa estrategicamente para enfrentar as duas mais poderosas equipas nacionais. Mas, aquilo que serviu para o Benfica, não foi o melhor para o FC Porto, face à dinâmica de jogo francamente oposta que, ao momento, estas duas equipas apresentam. No Dragão viu-se um Marítimo amarrado à sua estratégia de jogo, com um meio campo incapaz de segurar a bola e, por via disso, impotente para se organizar ofensivamente, limitando-se quase a destruir jogo. Para além de debilidades defensivas evidentes nas faixas laterais. Agora segue-se um ciclo de jogos, a começar com a recepção ao Olhanense, neste domingo, em que a ideia de jogo terá de ser outra. O que vai obrigar Pedro Martins a alterar a estratégia e as individualidades, pois temos dúvidas que, com este meio campo – Alex Soares ainda é incipiente e João Luiz é mais um transportador de bola – a equipa seja capaz de mandar no jogo e no adversário. Mas também, reconheça-se, as opções não são muitas, já que Lindoso (que pode ser o medio criativo que falta) acaba de sair de uma lesão, e não chegou, para já, o médio que possa ser o tal oito que não existe no plantel. Relativamente ao Nacional, francamente esperava-se mais neste início de temporada. No jogo com o Vitória de Guimarães, a equipa alvi-negra denunciou também debilidades na zona central do terreno, com dificuldades na organização de jogo, pese embora Manuel Machado tenha herdado praticamente o plantel da época passada e que já provou poder fazer muito mais. Quiçá, com demasiadas mudanças estratégicas e no plano dos jogadores utilizados, que muito gosta de fazer o treinador do Nacional de um jogo para outro e mesmo em cada um dos jogos. Daí dois novos reforços. Belém pode marcar a viragem? Mas, esta análise, contudo, vale o que vale. Hoje vive-se um momento de dificuldades e de contenção financeira e as facilidades para contratar as reais mais valias já eram. Os clubes e os seus adeptos terão que se adaptar às realidades. Marítimo e Nacional têm capacidade para cumprir com os seus objectivos? Enfim, aguardemos!
Emanuel Rosa Jornalista