José Teixeira Um pouco mais timidamente do que acontecia antigamente, com o aproximar da campanha eleitoral regressam algumas bandeiras. Aparecem sobretudo em casas inacabadas, sobretudo nas zonas altas da cidade. Não tenho contra a decoração que cada um escolhe para a sua varanda ou para o poste de luz, mas a verdade é que estranho a coincidência desta necessidade de colocar a bandeirinha a esvoaçar com as setas viradas para o céu justamente quando se intensificam os contactos dos candidatos com os eleitores. Em tempos que já lá vão aquelas bandeiras mostravam a gratidão para com o poder ou uma forma de manifestar disponibilidade para se juntar à caravana em troca com uns sacos de cimento. Agora, que não há dinheiro para cimento e quase não há sequer para as caravanas, não se percebe que fazem aquelas bandeiras justamente em prédios que mais carências demonstram. Estranho.