As férias permitem alguns ‘luxos’, como o de recusar saber de alguma informação. Mesmo a um jornalista. Foi o que fiz nas últimas duas semanas de Julho, período em que alguns políticos também se recusaram a dar tréguas às suas banalidades. Apesar de tudo, houve dois episódios de que não consegui desviar-me, traído pela persistência dos vários canais de TV na repetição de alguns dos seus ecos. E, já se sabe, quanto mais estapafúrdia for a bojarda, mais repetições nos impingem. Foi o caso. Em calções de banho e de chinelos, o que menos queria saber era da festa do Chão da Lagoa. Depois de constatar uma fraquíssima moldura humana, que os vesgos do costume terão quantificado outra vez em “40 mil”, ouvi uns berros a denunciar umas maroscas com submarinos, numa clara e desabrida alusão a um eventual esquema de corrupção, dirigida a Paulo Portas, n.º 2 da coligação governamental PSD-CDS. Fiquei perplexo pelo convite implícito a todos os cidadãos para que sigam aquele belo exemplo: evitem a referência directa, rebusquem uma boa dose de humor e descarreguem toda a artilharia nesses políticos! Tem razão o homem que berrava: se ele o faz, qualquer outra pessoa o pode fazer. Portanto, sobretudo agora que vêm aí eleições, toca a dizer alto e em bom som todas as graçolas que nos ocorrer sobre governantes e outros políticos. Temas não faltarão: acumulação vergonhosa de ordenado e reforma, casas de Verão ‘all inclusive’ apenas por... 20 euros; viagens sumptuosas a Bruxelas com outras referências fonéticas semelhantes. Não se esqueçam é de fazer humor e trocar palavras propositadamente. Nada de nomes. E é rir à brava... Por exemplo, ocorre-me agora uma, eventualmente com alguma piada ‘submarina’: Fiquemos de Atalaia em relação à reabertura de um lar de idosos, um negócio tipo-submarinos, que ao que parece vai garantir um milhão e picos à ala liderada pelo genro! Tente você mesmo, caro Leitor, outros temas e outras piadas!

O outro episódio de que não consegui desviar-me em férias foi o rasganço de um exemplar do DIÁRIO. As TV’s reproduziram vezes sem conta, por isso fui mesmo obrigado a ver aquela fantochada, adornada com uma espécie de cão a salivar. Degradante, de facto, como posteriormente classificaram algumas pessoas. Duas delas social-democratas de gema, que me confessaram o seu repúdio. Com consequências directas já no próximo boletim de voto. Grave não foi o acto em si. Porque é repetitivo, até na falta de educação, por ter sido perpetrado em casa alheia, tão habituado que está a usurpar recursos que não lhe pertencem. Grave é saber, como todos sabemos, que muitos actos de governação são decididos com a mesmíssima displicência e desconsideração, com iguais critérios discriminatórios e incompreensíveis do ‘quero, posso e mando’. Sim, foi assim que chegámos até aqui.