Caro leitor que se prepara para votar no Bruno Pereira, nas próximas autárquicas, esta mensagem é para si.

Sei que vai fazê-lo não porque se trata do Bruno Pereira mas porque é o candidato do PSD. O cabeça de lista podia até ser um podengo português que o seu voto já estava decidido. Este partido tem ganho as eleições nos últimos 30 anos e nós preferimos ser do que ganha. É clubismo. E, em política, ainda lhe são garantidos benefícios… Mas serão os benefícios maiores que os prejuízos? Até para fiéis?

Eu não sou jornalista nem juíza, logo não estou obrigada à imparcialidade, pelo que posso - e vou - dar a minha opinião pessoal. Tenho, porém, uma consciência tão severa que não iria tentar seduzi-lo com as minhas ideias se não acreditasse genuinamente no que digo.

Não sou uma rebelde sem causa.

A pessoa que mais me instruiu na política, até hoje, foi um social-democrata convicto que, apesar disso, nunca votou no PSD-M. Ensinou-me a distinguir ideologias políticas de partidos, e porque não reviu nos candidatos do PSD-M a alegadamente representada social democracia nunca lhes reconheceu legitimidade para assumir o comando da sua vida.

Por outro lado, essa mesma pessoa também me ensinou a distinguir o ideal político em que aspirava viver, da realidade política em que se inseria e o papel importante do voto estratégico nessa dicotomia. Ou seja, lá porque não votava nos políticos que se diziam sociais-democratas, não deixava de votar. Votava estrategicamente noutros partidos, transmitindo assim ao partido social democrata o seu descontentamento para com os candidatos escolhidos, obrigando-o sempre ao aperfeiçoamento. Acredito piamente que foi porque as pessoas não fizeram isso que o PSD-M perdeu qualidade e está à beira da ruptura.

Mas não escrevo para tentar salvar o PSD-M. Nem quero que pense que estou a fazer campanha indirecta para determinado candidato. Contudo, acredito que se a Câmara Municipal do Funchal for entregue a uma coligação de partidos, pela primeira vez, a população desmantela a rede que encerra os segredos daquilo que deveria ser público, e que o tem prejudicado a si também, caro leitor.

E custa-me a alma não conseguir fazê-lo entender isto...

Rubina Sequeira