Depois de 30 meses consecutivos em contração, a economia portuguesa apresentou um ligeiro crescimento, no segundo trimestre deste ano, com o Produto Interno Bruto a crescer 1,1%. O investimento no sector da construção diminuiu menos do que o normal e as exportações registaram um ritmo de crescimento bem favorável. A zona euro mostrou também que está no bom caminho, o que antevê um segundo semestre com esperanças redobradas. Contudo, este sinal de crescimento da economia portuguesa, apesar de positivo, mantem o alerta amarelo: o desempenho da economia portuguesa foi inferior ao mesmo período do ano anterior; o consumo privado mantém-se em níveis muito baixos, tal como o investimento e procura interna. O desemprego tem níveis históricos e, associado a tudo isto, temos famílias em agonia, empresas a falir e uma emigração jovem a crescer a níveis assustadores. Se até aqui crescemos pela via das exportações, precisamos que as economias da zona euro continuem também a crescer, pois 66% das nossas exportações vão para a zona euro, sobretudo Espanha, França e Alemanha. Com este crescimento da economia, temos de ter alguma prudência, pois o consumo ao crescer, fará aumentar os preços dos bens e serviços. A inflação pode aumentar. As taxas de juro, via taxas de referência do mercado financeiro também poderão subir. A par de tudo isto, sabe-se também que a dívida pública atingiu 131,4% do PIB no primeiro semestre deste ano. O total da dívida das administrações públicas atingiu os 214.573 Milhões de euros. A dívida continua a subir. Em dezembro de 2012: 123,8% do PIB; em março 2013: 127,1% do PIB; junho de 2013: 131,4% do PIB. Perante tudo isto, todo o esforço que as famílias e empresas portuguesas têm vindo a fazer, não pode ser esquecido e ignorado. A economia portuguesa está a crescer “pendurada” nas exportações e nas economias frágeis europeias e a nossa dívida continua a crescer. Deixo um pequeno alerta: ainda não acertamos no corte da despesa; cortes nas reformas só para alguns, os mais fracos e frágeis. Já se fala em descidas de impostos e no aliviar da pressão. Cuidado para não estragar o que já foi feito. Façam contenção de despesa à seria, começando e dando o exemplo por cima, por todas as classes e ordens, não pensem em ciclos eleitorais (setembro 2013 e 2015) e acima de tudo, façam por fazer a pena todo o esforço exigido às famílias portuguesas, incentivando-os, com concretos e bons exemplos.

Pedro Calado