F. F. Em algumas cartas de leitor é claramente notória a infelicidade e a inveja que alguns vivenciam. Disparates atrás de disparates, principalmente das queixas ao nível da saúde. São os mesmos que abandonam os seus idosos no hospital com a desculpa da crise, mas ficam-lhes com a casa, a reforma, os bens. Os mesmos que fazem-se acompanhar do advogado na visita, garantindo a passagem dos bens, não vá faltar-lhes o fôlego mais cedo! São os mesmos que não visitam os seus familiares quando internados, e se o fazem fazem-se passar por vizinhos, amigos não vá alguém pedir-lhes alguma responsabilidade. São os mesmos que por vezes só aparecem quando a familiar tem alta, questionando na altura coisas que deveriam ser discutidas de inicio de modo a garantir o melhor nível de cuidados para o mesmo. São os mesmos que questionam o tabuleiro de comida ainda não servido porque em media são seis profissionais para trinta doentes e para todo o serviço, mas não são capazes de abdicar do seu conforto, do seu tempo livre e fazer o sacrifício de usar o horário de visita para auxiliar o seu familiar, falar com o medico, enfermeiro, assistente social, em vez de usá-lo para bisbilhotar a vida dos outros doentes e controlar o trabalho dos profissionais. São os mesmos que reclamam direitos, só direitos e os deveres? O dever de colaborar. Sim, porque há doentes com culpa de serem doentes, nada fazem para melhorar a sua condição. E há familiares que também nada fazem, melhor, ajudam na perpetuação da doença, mentem e mentem, quantas vezes juram a pés juntos que o seu familiar era independente e nos registos surge, doente acamado, com demência..., São diabéticos e fazem tudo menos dieta, não fazem a medicação. Trocam a água pela coca-cola ou laranjada ou o medicamento da diabetes pelos comprimidos milagrosos da farmácia, muito mais caros por sinal. Quantas vezes os profissionais de saúde são o saco de pancada para os doentes e seus familiares, irmãos, pais e filhos que não se falam, que exigem informações repetidas, e na hora das decisões voltam as costas e descarregam sobre os reais cuidadores. Mas é claro, apesar de sermos o saco de pancada temos de sorrir, ser simpáticos, não ousar questionar ou ofender sob a ameaça de uma queixa no celebre diário ou no livro vermelho, como alguém chamou ou melhor, directamente ao chefe ou conhecido do chefe. Sim porque são os utentes que nos pagam o ordenado com as taxas moderadoras, os mesmos que reclamam não terem 78 cêntimos para o antibióticos ou que vivem de subsídios. Uma curiosidade, apenas uma pequeníssima percentagem paga taxas moderadoras e não são seguramente os que mais reclamam. A minha experiência diz-me que os que mais reclamam são os que em qualquer país civilizado não estariam no serviço de urgência, mas sim no centro de saúde ou numa consulta de hospital. Mas neste caso a responsabilidade não cabe apenas aos utentes. Não condeno quem reclama, mas por favor, antes disso informem-se sobre a totalidade dos factos. Não o façam de forma gratuita, sob pena de se tornarem bilhardeiros, falsos lutadores, apenas incendiários. Se me permitem, uma pergunta.. Que fazem quando alguém se dirige a vós e injustamente vos agride ou insulta? Mesmo com razão! Seja o agressor famíliar, amigo ou vá lá, a pessoa de que mais gostam... Sorriem? Ou no mínimo respondem à letra, dão um berro, um murro na mesa, dizem umas tolices, amuam, viram as costas? A resposta varia, não é verdade? Não me venham com a treta de que os profissionais de saúde devem baixar a cabeça. Não estarão a exigir-lhes capacidades sobrenaturais. Se eu for à escola dos meus filhos, a uma repartição, ao mecânico, ao banco, ao cabeleireiro, ao supermercado, à igreja, etc, ... espero, sujeito-me aos horários, às regras dos respectivos funcionários.. Os profissionais de saúde são acusados de agirem com superioridade, considero que quem os acusa tem complexo de inferioridade e inveja. Meus amigos, somos todos humanos, com virtudes, defeitos, direitos e deveres mas devemos em primeiro lugar respeitar-nos mutuamente, sobretudo se precisamos da ajuda dessa pessoa. Amor gera amor, ódio gera ódio.. É assim, deixemo-nos de tretas! E ninguém ouse dizer: trate-o como se fosse seu familiar... é ofensivo. E os outros doentes? Quem o diz assume que é assim que se porta perante a vida. Quantas vezes há ódios entre famílias?! Trabalho é trabalho. É dar o melhor de nós, com o objectivo de fazer o melhor pelo nosso doente. Para concluir, o diálogo, a verdade, a simpatia, humildade, a compreensão geram sucesso nas relações. Se analisarmos friamente são sempre os mesmos que reclamam, de tudo e de todos. Quanta infelicidade!