Imaginem cidades biotópicas, pensadas e desenhadas não apenas para os humanos, mas para toda uma plêiade de espécies selvagens, semi-selvagens, e domesticadas. Com corredores verdes e selvagens atravessando-as de uma ponta a outra, essas cidades consistiriam numa rede biotópica de micro-ecossistemas naturais e edificados (edifícios verdes, com ‘agrotectura’: agricultura vertical nas suas paredes e terraços, e com nichos biotópicos inseridos no seu design, onde residem e prosperam várias espécies complementares); e onde uma rede de transportes colectivos e individuais não poluentes, e não invasivos (‘underground’ e ‘overground’) constituem os seus metabolismos circulares, energeticamente auto-suficientes e biocompatíveis com os ambientes naturais e edificados que existam dentro e ao redor delas. Um cenário como o acima descrito parecerá à maioria uma utopia. Mas muitas das coisas que tomamos por garantidas hoje eram consideradas utopias irrealizáveis à somente algumas décadas atrás. A História não para. E, ao redor dela, a Evolução biosférica não regateia os seus imperativos. E a ‘reconciliação’ da humanidade com os seres e aconteceres naturais, que ela própria quis expulsar das suas cidades, constitui um desses imperativos evolutivos, sem o qual ela e a biodiversidade natural não sobreviverão… Nesse sentido, a mais lúcida e avançada escola de pensamento ecologista, a da Ecologia de Reconciliação, propõe e desenvolve meios palpáveis, concretos e pacíficos para efectivar grande parte do cenário “utópico” acima delineado. Para além da componente científica, desenvolvida por Michael Rosenzweig, autor de «Win-win Ecology», outros pensadores avançados aprofundam este importante projecto societário de reconciliação, que combina o fomento da biodiversidade através do «greening» das nossas cidades, e não somente através da criação de parques naturais. «Grenn roofs», «green walls», agricultura e permacultura urbana, vertical e biotópica, corredores selvagens urbanos… Ainda neste século, e nos próximos, muito disto fará partes das nossas vidas e das dos nossos descendentes…