Lê-se no jornal pago com os nossos impostos: ‘Núcleo duro de Jardim vai ignorar jogos de notáveis’. É este o título de uma notícia/opinião/comunicado, com chamada de primeira página que até se sobrepõe ao ‘logo’ do jornal, não assinada e por isso responsabilidade do director.

O texto não tem novidades, apenas o título, uma frase destacada entre aspas, merece alguns comentários. Sobretudo dúvidas.

Desmontando a frase, a primeira palavra, ‘núcleo’, remete para a Química. Núcleo é a parte pesada e central do átomo, onde se encontram protões, neutrões e toda uma imensidade de partículas subatómicas. Tudo muito pequenino e impossível de ver pelo olho humano. Deve ser isso.

Depois vem ‘duro’. Outra referência científica que remete para os sólidos, mas que também pode ser mais popular e talvez relacionada com medidas de QI. ‘Duro de cabeça’ era aquele aluno que nunca percebia à primeira, nem à segunda e só lá para décima vez em que o professor explicava tinha uma ligeira noção do que estava a ser estudado.

Portanto, ‘núcleo duro’ deve ser uma coisa muito pequenina e de compreensão lenta. E até encaixa na realidade de um partido em que o líder começa a poder reunir os seu ‘núcleo’ de fiéis numa mesa de café. E até devem sobrar cadeiras.

Infelizmente, todos os fins de regime, de liderança, de carreira, de quem não soube sair pela porta grande, têm os mesmos contornos, quase sempre patéticos e confrangedores.

O mais comum é, perante a possibilidade de um desaire que nunca se experimentou, deitar as culpas para todos, até para os que já fizeram parte de um núcleo muito mais numeroso e que agora é depreciativamente classificado de ‘notável’. Mas desses também poucos terão pena.