A época ainda não começou e os lenços brancos já esvoaçaram na luz Passados setenta dias, Cardoso pediu desculpas ao Benfica e aos seus adeptos. Aquilo que deveria ter sido feito poucas horas após a final do Jamor, demorou quase três meses. Numa entrevista patética e ridícula, que não convenceu ninguém. Para além do mais, a teimosia e a arrogância, se há outras razões que nos digam quais, levaram a rejeitar uma proposta de doze milhões de euros pelo avançado de trinta anos. Não consigo entender como se recusa um valor exactamente igual ao que o Benfica investiu há seis anos. Mas tudo isto é ainda muito mais grave, quando se sabe que não há condições para a sua continuidade no plantel. O Benfica e o seu principal responsável – Luís Filipe Vieira – optou pela continuidade de Jesus, opção que é discutível, mas que se aceita. Seriam necessários pequenos acertos, ao nível dos laterais e meio campo e colmatar eventuais saídas importantes, mas sempre necessárias para a saúde financeira do clube. Então, o que fez? Exactamente ao contrário. Compram-se mais extremos, mais avançados e não se atende as principais lacunas do plantel. Na baliza era preciso um guarda-redes para fazer face a instabilidade de Artur na última época. Mas deixa-se Eduardo, internacional português, excelente alternativa do ponto de vista desportivo e financeiro, ir para Braga. Empresta-se Melgarejo e vai buscar-se Cortez, cuja qualidade não é superior. Mais um lateral que só sabe atacar, quando o sistema de jogo de Jesus, com extremos bem abertos, exige exactamente o contrario. Oferece-se Miguel Victor e Roderick, internacionais portugueses, e mantém-se Jardel, sem qualidade para representar um clube desta dimensão. Ou compra-se Mitrovic, um central, do qual nunca se ouvira falar e era até desconhecido na própria Sérvia. De médios defensivos só existe Matic. O bom senso aconselharia a precaver-se de possíveis lesões, castigos, e até duma eventual saída, à última da hora. Nada disso. Importante, sim, é adquirir estrangeiros e colocá-los na equipa B. De preferência irmãos dos que estão na equipa A. E pontas de lança? Não seria necessário mais um, visto só haver Lima e Rodrigo? Não houve tempo para tratar disto? Claro que não. Primeiro houve que arranjar um clube que recebesse Nelson Oliveira por empréstimo. E contratar um avançado argentino – Funes Mori – eterna promessa adiada, que marcou, imaginem, sete golos nos dois últimos campeonatos. Ou mais um médio ofensivo – Farina-também argentino, para, passados quinze dias, emprestá-lo a um clube dos Emirados Árabes, excelente país para promover o crescimento e evolução dum jogador. Ah..., já me esquecia do Rúben Amorim. Por um desentendimento com o treinador, coisas normais, que são de pronto resolvidas por pessoas normais, ofereceu-se o jogador, durante dezoito meses, ao Braga, quando fez muita falta, ao longo da época passada. Já para não falar do caso Roberto e toda a trapalhada que envolveu a aquisição de Pizzi e o seu imediato empréstimo para a Grécia. Fiquemos por aqui porque o rol é extenso e não há espaço. Há duas pessoas que neste momento mandam no Benfica. O presidente e o treinador. Nomearam um director desportivo que, pelo menos que se veja, nada dirige, e colocaram Rui Costa numa prateleira dourada. Não entendo como é que este grande benfiquista ainda não bateu com a porta. E se é assim, como parece que é, os responsáveis de tudo isto terão de assumir as suas responsabilidades, talvez mais cedo do que era suposto. A época ainda nem começou e os lenços brancos já esvoaçaram na Luz. A tolerância está abaixo do zero. Oxalá esteja enganado...! Rui Abreu - Chefe de Gabinete da CMF
A época ainda não começou e os lenços brancos já esvoaçaram na luz
Passados setenta dias, Cardoso pediu desculpas ao Benfica e aos seus adeptos. Aquilo que deveria ter sido feito poucas horas após a final do Jamor, demorou quase três meses. Numa entrevista patética e ridícula, que não convenceu ninguém. Para além do mais, a teimosia e a arrogância, se há outras razões que nos digam quais, levaram a rejeitar uma proposta de doze milhões de euros pelo avançado de trinta anos. Não consigo entender como se recusa um valor exactamente igual ao que o Benfica investiu há seis anos. Mas tudo isto é ainda muito mais grave, quando se sabe que não há condições para a sua continuidade no plantel. O Benfica e o seu principal responsável – Luís Filipe Vieira – optou pela continuidade de Jesus, opção que é discutível, mas que se aceita. Seriam necessários pequenos acertos, ao nível dos laterais e meio campo e colmatar eventuais saídas importantes, mas sempre necessárias para a saúde financeira do clube. Então, o que fez? Exactamente ao contrário. Compram-se mais extremos, mais avançados e não se atende as principais lacunas do plantel. Na baliza era preciso um guarda-redes para fazer face a instabilidade de Artur na última época. Mas deixa-se Eduardo, internacional português, excelente alternativa do ponto de vista desportivo e financeiro, ir para Braga. Empresta-se Melgarejo e vai buscar-se Cortez, cuja qualidade não é superior. Mais um lateral que só sabe atacar, quando o sistema de jogo de Jesus, com extremos bem abertos, exige exactamente o contrario. Oferece-se Miguel Victor e Roderick, internacionais portugueses, e mantém-se Jardel, sem qualidade para representar um clube desta dimensão. Ou compra-se Mitrovic, um central, do qual nunca se ouvira falar e era até desconhecido na própria Sérvia. De médios defensivos só existe Matic. O bom senso aconselharia a precaver-se de possíveis lesões, castigos, e até duma eventual saída, à última da hora. Nada disso. Importante, sim, é adquirir estrangeiros e colocá-los na equipa B. De preferência irmãos dos que estão na equipa A. E pontas de lança? Não seria necessário mais um, visto só haver Lima e Rodrigo? Não houve tempo para tratar disto? Claro que não. Primeiro houve que arranjar um clube que recebesse Nelson Oliveira por empréstimo. E contratar um avançado argentino – Funes Mori – eterna promessa adiada, que marcou, imaginem, sete golos nos dois últimos campeonatos. Ou mais um médio ofensivo – Farina-também argentino, para, passados quinze dias, emprestá-lo a um clube dos Emirados Árabes, excelente país para promover o crescimento e evolução dum jogador. Ah..., já me esquecia do Rúben Amorim. Por um desentendimento com o treinador, coisas normais, que são de pronto resolvidas por pessoas normais, ofereceu-se o jogador, durante dezoito meses, ao Braga, quando fez muita falta, ao longo da época passada. Já para não falar do caso Roberto e toda a trapalhada que envolveu a aquisição de Pizzi e o seu imediato empréstimo para a Grécia. Fiquemos por aqui porque o rol é extenso e não há espaço. Há duas pessoas que neste momento mandam no Benfica. O presidente e o treinador. Nomearam um director desportivo que, pelo menos que se veja, nada dirige, e colocaram Rui Costa numa prateleira dourada. Não entendo como é que este grande benfiquista ainda não bateu com a porta. E se é assim, como parece que é, os responsáveis de tudo isto terão de assumir as suas responsabilidades, talvez mais cedo do que era suposto. A época ainda nem começou e os lenços brancos já esvoaçaram na Luz. A tolerância está abaixo do zero. Oxalá esteja enganado...!
Rui Abreu - Chefe de Gabinete da CMF