A Administração Hospitalar é o campo relativo à liderança, gestão e administração de sistemas de saúde, hospitais e redes de hospitais. Os Administradores Hospitalares são considerados profissionais de saúde e para o serem têm de tirar um curso, normalmente Mestrado, ministrado nas Escolas Nacionais de Saúde. Considerar “Administrador Hospitalar” qualquer pessoa que desempenhe algum tipo de chefia em unidades de saúde, sem que tenha tido formação para isso, é, no mínimo, uma imprecisão grave, que leva a confusões e ao descrédito injusto de uma classe profissional. Não podemos designar qualquer um como “Administrador Hospitalar”, da mesma maneira que não podemos considerar como “futebolista” uma pessoa que dá pontapés numa bola, “médico” a todo o interessado pelo tema, “farmacêutico” a quem nos aconselha um medicamento ou “engenheiro” ao mecânico do nosso carro. Portugal forma Administradores Hospitalares e outros profissionais de saúde altamente qualificados, colaborando com vários países na formação de altos quadros para este sector. Possuímos o conhecimento técnico e científico, somos reconhecidos internacionalmente, mas internamente continuamos a desvalorizar os melhores e mais qualificados. Esta situação é reconhecida por todos, mesmo externamente, tendo sido alvo de atenção no Memorando de Entendimento da Troika, na medida 3.74 – “Adoptar medidas para assegurar uma selecção mais transparente dos presidentes e dos membros das administrações hospitalares. Estes deverão ser, por lei, pessoas de reconhecido mérito na saúde, gestão e administração hospitalar”. À boa maneira portuguesa, tudo tem sido possível. Uma boa Administração na Saúde salva vidas. Uma má gestão aumenta os custos, condiciona a actividade clínica, aumenta a ineficácia e ineficiência, leva a situações intoleráveis de racionamento, promove o risco e aumenta a probabilidade de erro. Temos que ter a capacidade de promover a saúde e tratar a doença. Para isso, precisamos dos melhores nos lugares certos.
Duarte Nuno Dória - Gestor