A baixa política a nível dos partidos continua a ser um modelo preferido que, obviamente, afecta o regular funcionamento das instituições Neste apontamento, em pleno Agosto, com os termómetros bem próximo dos 40º, neste “tempo de parvoidades” – tal como neste espaço já assim optei por designar o que muitos continuam a preferir chamar “silly season” [Diário de 31.08.2003] – da minha janela, mais uma vez olhando o Tejo a misturar-se com o Oceano Atlântico, de fora imagino, de fora, olhar a Madeira, sem esquecer o que por cá é notícia e que, sem dúvida, muito se reflecte nesta nossa região. A enorme confusão gerada à volta de toda uma série de quezílias e intrigas, não só por problemas internos, ao nível do poder legítimo constituído, dependente que está de uma coligação que, como as mais das vezes a isso conduz, mas também e sobretudo pela baixa política que a nível dos partidos continua a ser um modelo preferido que, obviamente, afecta o regular funcionamento das instituições. O “prato forte” do momento tem sido – e, diria, que ainda vai continuar por algum tempo mais, é o caso dos “swaps”, uma polémica cuja origem remonta ao tempo da governação socialista de José Sócrates. Todos falam, mas poucos são os que entendem de que, verdadeiramente, trata essa enorme embrulhada que se gerou e já não pára, até pela circunstância de a discussão à sua volta e de tantos outros casos e episódios que, habilmente, vão sendo usados nas trocas de acusações entre todos os agentes partidários, autênticas manobras de diversão, ao sabor da baixa política, em consequência do que a situação de crise tenderá, inevitavelmente, a agravar-se. As repercussões, a nível regional, como se percebe são uma fatalidade, acrescendo outras razões e outros interesses que vão emergindo no meio de muita confusão, valendo a pena recordar alguns aspectos, até pela circunstância da proximidade das eleições autárquicas, cujo resultado oxalá contribua para a clarificação que tanta falta faz. Ora, desde há alguns meses, venho acompanhando com interesse a disputa que se vem desenvolvendo, com aspectos muito curiosos, em particular no caso do Município do Funchal em que a sucessão de Miguel Albuquerque dá, como se diz, muito “pano para mangas” com repercussões a todos os níveis, inclusivamente ao da presidência do partido maioritário da Região e que foram motivo de episódios inéditos, como por exemplo, foi a recusa a Miguel Albuquerque, para uso da palavra na festa anual do partido, facto que mereceu larga cobertura da imprensa e da media em geral, a nível nacional. Este episódio fez também lembrar as declarações de Alberto João Jardim, referindo-se a Albuquerque, como “o presidente mais desastroso de toda a história da autonomia da Câmara do Funchal” que foi também comentado na imprensa, até pela circunstância de a responsabilidade da sua escolha para Presidente da CMF, ter sido inteiramente da responsabilidade de Jardim, desde a primeira vez em que foi candidato. Com largas referências na media nacional, a circunstância de, há bem poucos dias, Jardim numa atitude considerada pouco feliz, em manifestação de desagrado em relação ao Diário, ter rasgado vários exemplares do jornal, em actos públicos, factos que foram largamente comentados. Essa animosidade em relação ao Diário e a tudo que se relaciona com os Blandy e por extensão com os “ingleses”, já vem de longe. Como escrevi (Diário de 31.08.2003), a propósito de uma notícia publicada, dias antes, no Diário de Noticias (Lisboa), oriunda da Madeira, «dava conta do que rotulavam de ‘cruzada contra os ingleses movida pelo Governo Regional» e, indo mais longe, que até seriam os ingleses «que desde o século XIX se estabeleceram na Madeira, responsáveis por crimes hediondos contra a Madeira e os Madeirenses». Ora, como então deixei perceber, quase só, aleivosamente, pode ignorar-se, como escrevi, a «realidade do que foi o investimento que muitos deles fizeram na Madeira, onde reinvestiram e continuam a investir, apostando no desenvolvimento desta terra que a consideram também sua, tal como todos nós os descendentes dos Portugueses que povoaram a Madeira». Sem me alongar mais, termino tal como há 10 anos, quando «… usando um pouco mais do mesmo, ‘a brincar’, misturando o sério com o chistoso, fui deixando passar algumas verdades … ” [por decisão do autor, este texto não respeita as normas do Acordo Ortográfico] Francisco Leite Monteiro
A baixa política a nível dos partidos continua a ser um modelo preferido que, obviamente, afecta o regular funcionamento das instituições
Neste apontamento, em pleno Agosto, com os termómetros bem próximo dos 40º, neste “tempo de parvoidades” – tal como neste espaço já assim optei por designar o que muitos continuam a preferir chamar “silly season” [Diário de 31.08.2003] – da minha janela, mais uma vez olhando o Tejo a misturar-se com o Oceano Atlântico, de fora imagino, de fora, olhar a Madeira, sem esquecer o que por cá é notícia e que, sem dúvida, muito se reflecte nesta nossa região. A enorme confusão gerada à volta de toda uma série de quezílias e intrigas, não só por problemas internos, ao nível do poder legítimo constituído, dependente que está de uma coligação que, como as mais das vezes a isso conduz, mas também e sobretudo pela baixa política que a nível dos partidos continua a ser um modelo preferido que, obviamente, afecta o regular funcionamento das instituições. O “prato forte” do momento tem sido – e, diria, que ainda vai continuar por algum tempo mais, é o caso dos “swaps”, uma polémica cuja origem remonta ao tempo da governação socialista de José Sócrates. Todos falam, mas poucos são os que entendem de que, verdadeiramente, trata essa enorme embrulhada que se gerou e já não pára, até pela circunstância de a discussão à sua volta e de tantos outros casos e episódios que, habilmente, vão sendo usados nas trocas de acusações entre todos os agentes partidários, autênticas manobras de diversão, ao sabor da baixa política, em consequência do que a situação de crise tenderá, inevitavelmente, a agravar-se. As repercussões, a nível regional, como se percebe são uma fatalidade, acrescendo outras razões e outros interesses que vão emergindo no meio de muita confusão, valendo a pena recordar alguns aspectos, até pela circunstância da proximidade das eleições autárquicas, cujo resultado oxalá contribua para a clarificação que tanta falta faz. Ora, desde há alguns meses, venho acompanhando com interesse a disputa que se vem desenvolvendo, com aspectos muito curiosos, em particular no caso do Município do Funchal em que a sucessão de Miguel Albuquerque dá, como se diz, muito “pano para mangas” com repercussões a todos os níveis, inclusivamente ao da presidência do partido maioritário da Região e que foram motivo de episódios inéditos, como por exemplo, foi a recusa a Miguel Albuquerque, para uso da palavra na festa anual do partido, facto que mereceu larga cobertura da imprensa e da media em geral, a nível nacional. Este episódio fez também lembrar as declarações de Alberto João Jardim, referindo-se a Albuquerque, como “o presidente mais desastroso de toda a história da autonomia da Câmara do Funchal” que foi também comentado na imprensa, até pela circunstância de a responsabilidade da sua escolha para Presidente da CMF, ter sido inteiramente da responsabilidade de Jardim, desde a primeira vez em que foi candidato. Com largas referências na media nacional, a circunstância de, há bem poucos dias, Jardim numa atitude considerada pouco feliz, em manifestação de desagrado em relação ao Diário, ter rasgado vários exemplares do jornal, em actos públicos, factos que foram largamente comentados. Essa animosidade em relação ao Diário e a tudo que se relaciona com os Blandy e por extensão com os “ingleses”, já vem de longe. Como escrevi (Diário de 31.08.2003), a propósito de uma notícia publicada, dias antes, no Diário de Noticias (Lisboa), oriunda da Madeira, «dava conta do que rotulavam de ‘cruzada contra os ingleses movida pelo Governo Regional» e, indo mais longe, que até seriam os ingleses «que desde o século XIX se estabeleceram na Madeira, responsáveis por crimes hediondos contra a Madeira e os Madeirenses». Ora, como então deixei perceber, quase só, aleivosamente, pode ignorar-se, como escrevi, a «realidade do que foi o investimento que muitos deles fizeram na Madeira, onde reinvestiram e continuam a investir, apostando no desenvolvimento desta terra que a consideram também sua, tal como todos nós os descendentes dos Portugueses que povoaram a Madeira». Sem me alongar mais, termino tal como há 10 anos, quando «… usando um pouco mais do mesmo, ‘a brincar’, misturando o sério com o chistoso, fui deixando passar algumas verdades … ” [por decisão do autor, este texto não respeita as normas do Acordo Ortográfico]
Francisco Leite Monteiro