A organização fala sempre em 40 mil pessoas no Chão da Lagoa, tanto no planalto como, agora, na herdade da fundação laranja, mas o certo é que esse número nunca terá sido atingido e algumas vezes deve ter ficado muito longe. Algumas vezes só em sonhos. Este ano repetem-se os prognósticos numéricos e os jornais do partido garantem que haverá 40 mil almas para dançar com o rei do pimba, Emanuel e ouvir Jardim. Se no Estádio da Luz cabem 70 mil, apertados, deve ser fácil comparar...

Independentemente do número, o certo é que a festa de Verão do PSD deste ano tem tudo para ficar na história do partido.

Com os social-democratas ainda muito divididos, depois de umas eleições internas que abalaram as certezas e os dogmas de décadas e com as autárquicas a menos de dois meses de distância, o que se passar, hoje, no Chão da Lagoa, pode ser decisivo para o futuro de um partido que até há bem pouco tempo não se preocupava com isso.

As divisões no partido são mais do que muitas e não se limitam ao confronto aberto entre Jardim e Albuquerque. O sacrilégio partidário foi ao ponto de permitir guerras abertas, na praça pública, entre os mais destacados nomes da longa lista de delfins, de candidatos a tal, homens de confiança e outros caídos em desgraça, que preenchem o elenco de ‘barões’ do PSD-M.

O líder há muito que não ajuda à unidade, antes pelo contrário, e dependerá do seu comportamento na festa ‘laranja’ o que se vier a passar no partido, no imediato e no pós-eleições.

Se continuar a hostilizar o ‘meio PSD’ que não votou em si – em Novembro eram mais de 1.600 e agora devem ser ainda mais – Jardim não deixa margem para os apelos à unidade eleitoral e estará muito mais fragilizado, se as coisas correrem mal no final de Setembro. Por muito que negue essa opção, se a derrota for pesada, não terá margem para recusar um congresso.

Ao hostilizar a oposição interna, ao ponto de avançar para expulsões e cortes da palavra no palco da festa, o líder terá criado um problema, até para os que lhe são mais próximos e que esperam ter um futuro político pós-Jardim.

Para os candidatos autárquicos, o pior que pode acontecer é apresentarem-se aos eleitores com um partido ainda mais dividido e com um líder que parece não ter percebido que o seu discurso violento, que já valeu eleições, hoje é um dos principais problemas eleitorais do PSD-M. E os sinais, em muitos concelhos, não são nada animadores.