“Político” etimologicamente do adjetivo grego “politikón”, na sua essência significa relativo aos cidadãos. Já “política”, enquanto nome, sustenta-se na palavra grega “politikè” e significa arte de governar a cidade. Ambos têm na base a palavra “polis”, ou seja, no seu étimo, encerram a governação da cidade relativa aos cidadãos. Entende-se “cidade” num conceito mais lato do que o interpretamos hoje. Em síntese, a “polis” enquanto unidade estatal. Perdoe-me o leitor por esta introdução a roçar a formação clássica, mas ainda sou dos que pensam que para compreendermos o mundo, os seres humanos e as suas atitudes na sua essência temos de ir às origens. Por isto, pelos tempos que se vivem, pelo imediatismo cultivado nos dias que correm e por outros motivos, achei por bem aclarar conceitos e aprofundar o léxico. Então dos políticos às políticas espera-se que governem os seus territórios, sejam eles locais, regionais ou nacionais, pondo sempre os interesses dos cidadãos em primeiro lugar, procurando encontrar as melhores respostas e soluções, com engenho e arte, para que as “polis” aufiram de qualidade de vida e desenvolvimento integral e sustentado. Obviamente que já foi mais fácil dar respostas e encontrar soluções. Sei disso! No entanto acredito que continua a ser possível fazê-lo, não só com o engenho, mas, e acima de tudo, ancorados na etimologia das palavras, na essência do significado, no respeito solidário pelos direitos dos cidadãos, na técnica da arte pura e etimológica de bem governar e servir. Chamam-me lírico! Responderei com a voz do povo, “de poeta e de louco todos temos um pouco”. Boas férias, se for o caso!
Nuno Maciel