Francisco Baltazar R. dos Santos Todos sabemos que as linhas contínuas são, em qualquer parte do mundo, uma marcação de segurança que não pode ser ultrapassada. Na nossa caótica Madeira, não é excepção. Há poucos dias ligou-me um amigo estrangeiro residente na Madeira. Numa situação em que a urgência era muita, e tendo á sua frente um camião circulando a 10km/h, carregado de tronos de madeira (provavelmente com a carga não segura pelas normas vigentes...), tendo ampla visibilidade em relação ao transito em sentido oposto, cometeu o grande “pecado” de ultrapassar a referido linha continua. Este meu amigo foi referenciado na altura por um agente, e confrontado com a infracção cometida, pagou de imediato uma multa de 50 euros, julgando estar ali o caso terminado. Ligou-me agora com a informação de que tinha recebido uma carta da Policia intimando-o a entregar a sua carta de condução por 35 dias, ou protestar esta decisão dentro de um prazo de 15 dias. Tudo bem, é capaz de ser a legislação em vigor por este tipo de infracção. Mas, vamos lá a ver. Nós, que cá vivemos, ainda lá vamos convivendo com o caos e a arbitrariedade do nosso trânsito. MAS COMO VAMOS EXPLICAR ISSO A UM ESTRANGEIRO? Numa terra onde somos MUITAS VEZES NUM DIA, obrigados a ultrapassar traços contínuos devido ao estacionamento impune junto a linhas amarelas nas bermas, nas curvas, nos passeios, duplo estacionamento, como é possível exigir o rigoroso cumprimento da lei em casos isolados???!!! Este meu amigo diz-me ser condutor há 45 anos, sem nunca ter tido qualquer pena por infracção das regras. Mais, concorda, que infringiu desta vez. Mas será “alto crime” justificativo de perda de carta de condução por 35 dias? Estrada em frente totalmente livre de transito.....! Como lhe vou explicar esta incrível situação de tanta benevolência em relação a várias situações contrastando com rigidez e austeridade em relação a outras?Sem querermos ser servis ou subservientes, se há alguém a quem devemos a nossa benevolência são os estrangeiros, pouco habituados ao nosso CAOS.Este nosso amigo, que não é nenhum emigrante mas sim um reformado abastado, daqueles que o nosso país tenta atrair para se estabelecerem no nosso país, está como é lógico bastante despontado com o sucedido. Provavelmente será a gota de água. Repito, nada de servilismos ou subserviência. Bom senso, isso sim, é o que se precisa.