O recente entra e sai do líder do CDS, no governo de coligação PSD/CDS, foi mais uma paródia inconcebível para quem tem responsabilidades governativas tão importantes. Episódio infeliz, digno de registo histórico pelo significativo impacto (negativo) no País e na (de per si já frágil) Europa. O impacto da demissão de Paulo Portas foi devastador para a economia portuguesa, não há dúvidas disso. Além de devastador para a nossa economia, foi um momento ruinoso para a imagem externa de Portugal, junto dos seus credores, e o ponto final naquele que deveria ser o regresso de Portugal aos mercados. Depois da pirueta de 360°, o regresso aos mercados parece ser um novo D. Sebastião na história portuguesa. Este bailarico de Portas a troco de maior poder dentro da coligação causou um prejuízo astronómico à economia portuguesa. E, uma vez mais, seremos todos nós, portugueses, a pagar por estes joguinhos de poder entre o PSD e o CDS. Pagam todos pela ganância de alguns. Esta atitude do “Sr. irrevogável” custou-nos cerca de 3800 milhões de euros em apenas três dias. E, para que não existam dúvidas, 3800 milhões de euros são, nada mais, nada menos, do que metade da dívida da Madeira – a dívida que teremos que pagar nas próximas duas décadas, a muito custo. No dia seguinte à suposta demissão de Portas a Bolsa de Lisboa caía mais de 5%, ou seja, as empresas portuguesas desvalorizavam cerca de 2600 milhões de euros em 24 horas. Somando a isto o impacto dos juros da dívida, que subiram mais de 1%, o que equivale a cerca de 1200 milhões de euros, torna-se assustador o tão próximo que estamos da Grécia. É um impacto demasiado grande para um País como o nosso, com sérias e inegáveis dificuldades económicas e sociais, agora agravadas pelo líder do CDS, Ministro que de irrevogável demissionário passou a Vice Primeiro Ministro. São atitudes como estas que distanciam cada vez mais os cidadãos da cidadania ativa, da esfera política. Não tenho dúvidas que esta falta de ética e seriedade de alguns põe em causa e desprestigia o trabalho sério de muitos. É por isso que esta atitude do CDS, que não olha a meios para atingir os seus fins egoístas, que prejudica o País em troca de maior poder, deve ser severamente punida pelos cidadãos já nas próximas eleições de 29 de setembro. Chega de sermos governados por “bailarinas desajeitadas” que tropeçam nos seus próprios pés.
Orlando Fernandes Presidente da JS-Madeira