Depois de um longo interregno estou de volta à liberdade de expressão que a Constituição garante mas da qual, a bem da nação, por vezes errada mas necessariamente se abdica. A mesma CRP que fixa limites que não podem nem devem ser tangidos se quisermos ser uma Nação e não apenas um Estado, se quisermos manter a dignidade mas também o respeito pelos que lutaram, e até pereceram, para que aqui tenhamos chegado. Não precisamos de chefes, precisamos de líderes. Os primeiros são geralmente impostos, por vezes, segundo critérios que ninguém compreende e que em certos casos apenas convocam o Princípio de Peter. Os segundos são eleitos, tacitamente, pelos seus pares, atentas as suas verdadeiras capacidades e carisma, que motivam um todo em torno de um desígnio. Isto para dizer que a Europa, o País e a Região estão a braços com uma indisfarçável crise de liderança e de projeto, mas sobretudo de valores. Importa refletir sobre o que queremos do futuro, ou melhor, que futuro queremos para os nossos filhos? Um futuro de esperança ou de desilusão e submissão, de prosperidade ou de retrocesso e comodismo, apenas porque mais vale pouco do que nada. Somos um povo abnegado mas não confundamos isso com desistência, com hipocrisia, com o salve-se quem puder. Os fins não justificam os meios. Estou exausto do faz que anda mas não anda, da indisfarçável inércia das instituições, de governos de tecnocratas de controlo remoto, da injustiça da Justiça, da subserviência ao “diretório” europeu, dos casamentos de conveniência política que arrasam as conquistas de Abril, da tolerância - cada vez menor - à Quinta das Angústias. Este é um ano de decisões. Madeirenses e porto-santenses, parem, escutem, olhem e apostem na MUDANÇA.

Jaime Leandro