Duarte Rodrigues Os países periféricos europeus são confrontados com as consequências de um capitalismo selvagem, comprovado com a desregulamentação das protecções financeiras e monetárias que antes das novas regras da Zona euro existiam, é incompreensível certas forças que se apelidam de defensoras da classe trabalhadora, usem estratégias sectárias e até destruidoras de qualquer esperança de vanguarda que ponha fim a austeridade. Quando a dívida pública portuguesa atinge um novo máximo, quando o défice aumenta falhando mais uma vez o memorando não seria altura de por em causa certos dogma!? A transição de dívida privada para pública tem origem nos prolongados desequilíbrios da balança de pagamentos em favor de países como a Alemanha, estes tornaram-se em credores da banca privada dos periféricos, após o mote dado pela falência do Lehman Brothers e seguinte crise de confiança no sistema bancária, os bancos privados nórdicos apertaram os nossos bancos que por sua vez apertaram com o Estado, este torna-se então refém do terrorismo financeiro e chama a Troika, isto porque os bancos privados recusaram-se a emprestar dinheiro ao Estado. Tínhamos um PIB insuflado pelo crédito que tanto sorrisos deu a classe política e a oligarquia circundante, mas seria este o doce que poria de joelhos nações até então soberanas. Perante mais um ataque por parte do Governo PSD/CDS o que fazem as estruturas responsáveis pela luta!? Além de ineficientes em termos relativos, por exemplo em comparação a Itália, pois as forças que levaram a cabo a luta de classes lá conseguiram equilibrar de forma mais sustentável a redistribuição de riqueza, como resultado conseguiram manter a dívida como interna e com essa todos lidam bem. Irei parafrasear Michal Kalecki, “capitalists earn what they spend, and workers spend what they earn”. O problema é uma crise estrutural do capitalismo derivado da luta de classes, que foi acelerado por direcções burocráticas e ineficientes. É altura de dizer já basta de jogadas de gestão de bancadas parlamentares que só penalizam o povo português. Esperamos que essas jogadas sectárias quando há um inimigo comum na ilha da Madeira não tenham lugar. Motivos não faltam para a manifestação deste sábado.