Sérgio Potier Eu compreendo que as revoltas no Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, entre outras cidades, leve os brasileiros a manifestarem-se nas ruas contra a corrupção, as falhas na educação, na saúde , na segurança, no preço dos transportes, e no preço exorbitante dos alimentos... Porém já me custa compreender a revolta contra os gastos nas obras para a Taça das Confederações e do Campeonato do mundo, num País em que o relatório de Maio da OCDE prevê uma inflação a subir este ano 6,2% e o PIB a crescer apenas 2,9%, em contraste com os anos anteriores, em que a média de crescimento era na ordem dos 5% ao ano. Ora, é precisamente numa altura em que o crescimento do produto baixa, prevendo a chegada da recessão que, um País deve apostar nas políticas Keynesianas das obras públicas para alavancar a economia e para manter o emprego, mesmo que à custa de inflação, desde que dívida não ultrapasse o crescimento do produto, ou que a emissão de moeda tenha em conta a regra de Taylor, regra-âncora de referência, um facto que além de certos limites leva à desvalorização da moeda e à alta de preços. Diz-se que as obras públicas implementadas no Brasil têm ultrapassado em muito os prazos e os valores previstos. Mas nestes casos quem tem de actuar é o Tribunal de Contas do Brasil atempadamente. Por outro lado, não é menos verdade que o incumprimento dos prazos mantém por mais tempo o emprego, e os valores cobrados a mais pelas empresas de construção civil devem ser alvo de fiscalização por parte da Direcção Geral dos Impostos para a cobrança efectiva dos respectivos impostos. Não se pode pedir mais saúde, educação, se o crescimento do produto é baixo. Pode-se pedir que se acabe com a corrupção, com o enriquecimento ilícito..., mas não se pode pedir a um governo que não tente implementar políticas económicas que possam dar frutos no futuro e no curto prazo. A inflação que está a ter impacto agora já vem de trás, é tudo uma questão de esperar pelo ciclo que se avizinha.