Severino Olim Há dias, o Sr. José Manuel Sebastião, residente no Porto da Cruz, teve a pertinência e a coragem de manifestar publicamente o descontentamento da população daquela localidade pelo facto de ter sido encerrado o único Posto dos Correios instalado naquele freguesia há mais de 100 anos. Comungando do seu inconformismo ressalvo a importância da longa existência deste Balcão dos CTT na seda de abertura do Porto da Cruz ao mundo, através do seu serviço postal e de telegrafia que garantia manter as famílias unidas, mormente as radicados no estrangeiro ou mesmo os familiares mais jovens a prestar serviço militar nas ex-colónias portuguesas. Além disso, a sua relevância foi de tal ordem notável pelo seu contributo social e pela melhoria da qualidade de vida que assegurou às populações, essencialmente, no tempo em que os sinais de radio e da televisão eram praticamente inexistentes nesta freguesia e nas restantes freguesias do Concelho de Machico. Apesar do surgimento em massa de novas tecnologias do mundo da comunicação a procura atual pelos seus serviços não perdeu de modo algum interesse, nem os serviços de maior proximidade com a população local tenha perdido a procura normal ou confiança dos seus utentes habituais. A verdade, com o desaparecimento desta unidade de Correios na vila mais a norte do concelho de Machico deixa, no meu ponto de vista e de muito gente anonima do Porto da Cruz, o centro da vila num processo de liquidação de serviços públicos que compromete em termos de futuro o seu desenvolvimento e a sua modernidade afastando, cada vez mais, os jovens casais e os potenciais investidores do centro da freguesia. A População menos familiarizada com as novas tecnologias fica impedida de efetuar os pagamentos das faturas do seu telefone e de outros serviços domésticos neste Posto. Perde-se, também, a possibilidade da comunidade local contratar produtos financeiros como as ações obrigacionistas, bilhetes de tesouro ou mesmos acordar seguros neste balcão, assistindo-se à lapidação do centro da vila de uma infraestrutura de serviço publico. Doravante, a população idosa do Porto da Cruz é forçada a deslocar-se à Estação dos Correios da cidade de Machico a fim de proceder ao levantamento dos vales das suas reformas se, no entanto, os CTT não encontrar outra alternativa com custos menos penosos para estes bolsos tão vazios de esperança. Contudo, no desabafo do Sr. José M Sebastião “o povo quem é que se importa, quem é que se importa com ele” manifesta o silêncio incompreensível dos dirigentes das associações socioculturais do Porto da Cruz como, ainda, a ausência de movimentações de influências dos ilustres filhos da Terra colocados em cargos de chefia de Direção e de outras altas funções que, por devido mérito desempenham no porto seguro do Governo Regional. Por fim, a Junta de Freguesia assistiu no conforto das suas conveniências a um sério retrocesso da qualidade de vida da população menos desprotegida, à morte de um símbolo de presença do Estado e, ao afastamento de turistas e de possíveis investidores do centro da vila, construída ao longo de cinco seculos a custo de enormes sacrifícios de muita gente humilde e simples, cujo legado merece a nossa defesa mobilizadora e intransigente de modo a não sucumbir aos caprichos de políticas puramente economicistas.