Com o inícioda Primavera os campos começam a ganhar nova vida, é um novo ciclo que se inicia. Após a preparação dos terrenos, foi dado inicio às sementeiras, plantações, enxertias, tratamentos de árvores e videiras, enfim, um sem número de tarefas, porque quem vive do campo tem trabalho durante todo ano. Esta Primavera tem sido particularmente diferente, seja para todos os que fazem dessa actividade profissão e única fonte de rendimento, ou meio de subsistência, seja para os que fazem dela um complemento de outra actividade, para obter mais algum rendimento e também aumentar assim a riqueza do país. Ate aqui nada de anormal, dirá o leitor, o anormal é que parece que os governantes e legisladores não vivem no mesmo país destes agricultores, que se chama Portugal. Aqui há dias, encontrei no grémio, o Sr. Agostinho do Estreito, um agricultor a tempo inteiro, acompanhado de outros dois agricultores em “part-time”, quando iam comprar os remédios para dar início aos tratamentos da vinha. Estavam falar, com alguma revolta, sobre as novas regras e leis que estão a ser aplicadas a quem trabalha a terra. Um dizia que tinha uma ou outra coisa que estava certo e até estava de acordo, mas a maioria das regras ou leis são só para complicar a vida, preencher papelada e dar trabalho a quem está nos gabinetes, sublinhava outro. O mais velho do grupo, João do Cabeço, dizia: - A minha idade já vai pesando, a reforma mais algum que tenho em casa vai dar para mim, só plantar umas semilhas para comer mais a minha velha e resto vai ficar tudo em relva. Interrompe o Agostinho, para perguntar, com ar muito admirado: - Não me diga que vai abandonar aquelas parreirinhas de terrantez? Olhe que já não há muitas por aí! E responde o João: - Ah! Isso não! Coisa boa não se abandona, Já não há muitas, não é verdade? Como dizia o meu pai se tens uma coisa muito boa faz como quem tem terrantez: não o vendas nem o dês …Bebe-o. - Pois é! - remata o terceiro elemento do grupo - vão fazendo leis tontasque é só para dificultar a vida a quem trabalha de sol a sol, cria o seu próprio emprego e por vezes ainda dá trabalho a outros. Isto está tudo louco.

Joel Freitas