Pai indignado No passado sábado, dia 8 de Junho de 2013, assisti em Gaula naquilo a que chamam Centro de Formação da Associação de Futebol da Madeira (AFM), um espectáculo tão deplorável que não se consegue quantificar. Num jogo de Infantis entre o Juventude de Gaula e o 1.º de Maio esteve um senhor a fazer de árbitro que mais parecia uma figura saída da banda desenhada da Mafalda. Com um apito na boca, fez-me lembrar o Sr. Lei da série do Noddy, um velho bonacheirão que apita, apita e apita e depois não faz nada. Ponto assente: os miúdos de ambas as equipas não têm culpa de nada, pois estavam lá para fazer aquilo que lhes competia e que era jogar futebol. Mas a falta de respeito do tal “apitador” foi gritante que não deixou ninguém indiferente. O desplante foi tanto que eu, na qualidade de pai e apoiado pelos restantes pais, decidimos abandonar o campo. Não posso tolerar que se faça educação em casa apelando à compreensão, ao saber conviver e aceitar a derrota e depois chega-se ao sábado e somos confrontados com pessoas sem nível, a enxovalhar a dignidade dos miúdos. E esta lamentável situação fez-me equacionar uma série de perguntas: Que raio de campeonato de Infantis (variante de 7) é este? Com que critério organizaram os diferentes grupos, atribuindo já classificações pré definidas? Quem controla os resultados, pois os mesmos são adulterados quando publicados? Quem representa a AFM nestes jogos, uma vez que é ela que os organiza? O futebol jovem na Madeira está moribundo, pois os mortos-vivos iluminados que estão à frente da Associação de Futebol da Madeira (AFM) mais parecem gigantones a desfilar numa qualquer Feira de Vaidades. E não me venham dizer que a culpa é da chuva e coisa e tal. Há clara falta de organização e falta de visão. Parecem Velhos do Restelo à espera que o barco passe e traga mais tesouros do Novo Mundo. Esqueçam!!! Procurem é abrir os olhos antes que seja tarde. O futebol jovem não pode ser só Marítimo, Nacional e Milan. Os clubes pequenos também têm a sua quota-parte, nem que seja só para fazer número e permitir que haja campeonato. E depois, pequenos mas humildes. Honestos e trabalhadores. E não se esqueçam dos encarregados de educação, porque sem eles não haveria atletas para competir, ou pensam que os miúdos vão para os jogos de avião fretado pela AFM? Exige-se respeito. Aos clubes, aos pais e, sobretudo, aos atletas que dão o seu melhor durante a semana para mostrar as suas competências a todos ao fim de semana. Esta reflexão, creio que muitos dos leitores já a fizeram, pois não pretende apontar o dedo a ninguém. Apenas despoletar consciências e promover o debate dentro das entidades responsáveis. Senhores da AFM, pseudo detentores da verdade desportiva, deixem-se de brincar ao faz de conta, porque para isso existe o Jardim de Infância. Não se esqueçam que futebol de formação também é educação. E os exemplos deveriam vir de cima, coisa que actualmente não acontece.