Friedrich Nietzsche lembra que Swift dizia que, “para manter uma mentira, tem de se inventar outras vinte». Recordo isto porque há na governação madeirense uma tendência intrínseca para mentir e, tão grave como isto, nunca admitir erros. São dois factos incontornáveis que fizeram do maior partido da Madeira uma casa de horrores não aconselhada a gente impressionável. Mas tudo isto seria pouco relevante se não passasse de ficção ou de simples matéria prima para teses delirantes de gente à beira da loucura. Infelizmente não é assim. São bastante mais de vinte as mentiras do PSD. São mesmo às dezenas e que já se acumulam umas em cima das outras, num surpreendente processo de putrefacção. E, como avisa o autor citado, a recusa de admitir erros grosseiros, erros deliberados e enganos pré-preparados, conduz a mais e mais mentiras, num chorrilho quase impossível de estancar (acrescento eu)! Desde a mentira da dimensão efectiva da riqueza da Região, cuja insistência em não clarificar tornou impossível uma visão esclarecida, competente e proveitosa para os madeirenses do futuro do CINM; até às razões concretas das perdas significativas de fundos comunitários no quadro 2007-2013 (500 milhões perdidos!); passando pela mentira descarada do tamanho da divida da RAM ou da ocultação de quase 2 000 facturas que transformou um governo inteiro em pré-arguido; não esquecendo todo o manancial de mentiras da negociação do PAEF-RAM; permite sublinhar que não falta material para explicar ao Nietzsche que o PSD da Madeira seria um excelente laboratório de ensaio para as análises mais ou menos “libertárias” do filósofo. Mas se alguém pensa que apesar da dura factura imposta a todos os madeirenses por mentiras de todo o género e feitio fez inverter esta tendência, enganem-se. Recentemente, o governo regional, os deputados da ALRAM e os deputados da república garantiram solenemente que o PAEF estava a ser cumprido e que a última tranche (do empréstimo de 1500 ME) iria ser transferida imediatamente (ao fim de 5 meses de atraso!). Passaram mais duas semanas e nem sinal dos 350 ME. Mas pior. Na mesma altura, e com a mesma convicção, também explicaram à população que o aval de 1100 ME, prometido em Novembro do ano passado (hoje está visto que era outra mentira!) estaria pronto a ser concretizado, pagando imediatamente às empresas e acabando com o custo mensal em juros de quase 8 milhões de euros. Nem uma coisa nem outra: nem tranche, nem aval. Foi apenas (?) mais uma mentira para esconder outra (o cumprimento do PAEF!). Mas como não há duas sem três, e de modo a sacudir a água do capote e a pressão do PS-M para exigir a negociação do PAEF-RAM, aproveitaram para acrescentar outra miserável mentira: o PAEF já está em negociação. Posto isto, estou certo, seguir-se-á com certeza mais e mais mentiras, mais e mais ocultações, mais e mais sofrimento!
Carlos Pereira