Não é de agora que a “achologia” parece estar enraizada e a fazer escola. Cada um tem direito ao seu “eu acho que …”, independentemente do assunto que esteja em causa e de já ter ou não sobre ele pensado um pouco. Nada de mal viria ao mundo se tal fosse um exercício que ajudasse à discussão, que contribuísse para que os assuntos fossem analisados e dissecados sem perder a visão de conjunto e permitisse a compreensão das causalidades. Contudo, o normal é que cada um defenda o seu “acho que”, construído a partir do “seu umbigo”, como se fosse uma certeza absoluta, o que não contribui para o diálogo mas sim para que se façam autênticos monólogos sem contraditório. Este “acho que”, na maioria das vezes, é sustentado por generalizações abusivas e pelo debitar de frases feitas (basta ouvir muitos dos nossos comentadores desportivos e “politólogos”), ou então pelo simples “puxar dos galões”. É assim corrente argumentar que nos Estados Unidos, na Europa, no Continente … se passa isto e aquilo. Associar atributos ou vícios a determinadas classes profissionais, por exemplo, professores, treinadores, advogados, médicos, jornalistas. Caraterizar as hipotéticas virtudes e defeitos de certas pessoas, etc. Tudo isto sem que percebam (alguns até percebem) que estão a confundir o acontecimento com o processo e que pode existir uma grande diferença entre dados pontuais e tendências. Há opiniões para todos os gostos e feitios, umas certamente genuínas, umas para acertar contas antigas, outras porventura encomendadas… porém, esta “achologia” sem fundamentação assume contornos dramáticos quando é praticada por aqueles que têm obrigação de tomar decisões com implicações sobre terceiros. Numa altura de reformas, por exemplo na educação e no desporto, é fundamental que o “acho que” seja sustentado e se compreendam, por exemplo os objetivos visados a médio e longo prazo e as possíveis estratégias alternativas que existam para que sejam alcançados. Acho que se cada um tivesse de assumir a responsabilidade… Mas será que queremos discutir alternativas ou preferimos comprar soluções miraculosamente já prontas a consumir? O que é que ACHA?
Hélder Lopes Professor Universitário