Muito se tem falado e questionado sobre como será o futuro do desporto regional. Em um ano foram muitos os cortes anunciados e muitas as ameaças de demissão, de extinção e de cessação de funções feitas. Até hoje, pagámos por um leque de apoios a tantas mobilidades que, num meio tão pequeno como o nosso, em poucos anos tornou-se claro não ser um modelo sustentável. Os dirigentes não podem, a meu ver, ficar na sombra da falta de cumprimento de programas de apoio governamentais pois, se só disso vivem os clubes, então estamos perante casos insustentáveis que infelizmente não terão muito futuro nos desafios que nos esperam. Temos um número absurdo de clubes na Região, que resulta obviamente numa dispersão de meios que já vão de escassos para residuais. É um exemplo de má gestão que atletas com vários títulos nacionais se vejam privados de competirem, no entanto essa gestão deve partir mais do clube e menos do governo. Essa será a forma do clube valorizar o investimento na formação do atleta e não o governo, como tem sido apanágio até então. O presente passa pela criação de sinergias, pelas fusões, inevitavelmente por algumas extinções e pela alteração de modelos de gestão até agora vistos como eficientes, criando condições para que as diferentes modalidades possam lutar por títulos nacionais e para que o desporto tenha um peso ainda maior na economia regional.
Vítor Andrade