O nosso Ministro da Finanças, (o boneco do ventríloquo Schäuble) que não consegue acertar uma conta que seja, afirmou com desplante no parlamento, que não foi eleito “coisíssima nenhuma”. Por sua vez, o Secretário das Finanças da Madeira, que falhou o reporte de despesas à República, foi reconduzido há quase dois anos. E, o Director Regional dos Assuntos Fiscais é julgado num processo de fraude fiscal. Se ser português é estar em apuros, ser madeirense, é acumular desgraça com folclore. Com o país a falhar, a invocação divina de Cavaco sucede, porque lhe falta a coragem e estadismo que lhe são exigidos, a que nem a inspiração mariana, de nada acrescenta, à sua inata irrelevância. Em 1917 a mãe do Criador alegadamente visitou o distrito de Leiria, para refrear o exacerbado anti-clericalismo da Primeira-República. Em 2011 forçaram a visita da troika, para acalmar os juros do mercado primário. E, tal como a Criação que terminou ao sétimo dia, a sétima-avaliação do Memorando foi arrumada a 13 de Maio de 2013! O relato recente da laicidade portuguesa tem destes ímpetos teológicos, ao mais alto nível da soberania. Nesta política incrível, estamos emparedados entre um exercício de exegese e uma epifania, que ombreia com o teocrático Irão. Por cá, o Ministério Público é arrasado pelo Tribunal de Contas, por não acusar membros do governo insular, sobre a auditoria da omissão de dívida, perante “abundante matéria de facto e probatória existente”. O Direito Comparado italiano é nisto abundante. Nesta semana conhecemos a previsão da OCDE para Portugal, que reforça o breu das estimativas governamentais. Mais contas goradas e mais recessão. Nas EQM’s (experiências quase-morte), quem regressa, diz ter observado uma luz ao fundo do túnel. O nosso túnel está inacabado, como outros, inaugurados à pressa, por aí.
Donato Macedo