Imagina, que eu nunca te toquei e o campo até ao horizonte possível, explode em violeta e azul, dedos florescem para as delicias do tacto num vibrátil orvalho. Imagina que eu me parti e o ar se tornou num duvidoso poiso, retráctil, sem gosto nem cheiro, apesar de os lagos a si atraírem o voo de predador de fulminantes aves e o receio seca a boca. Imagina esse género de pânico ao contrario, tu: solitária, imagina o Mundo cego. Imagina, que me resguardei dentro das minhas próprias veias no esquecimento de tal ausência a brotar em tons rubros, borbotões sobre ti. O campo, o campo, o campo... Agora, imagina (é Sábado ) toquei-te por assim dizer excessivamente ao nível do coração, ou abaixo, no preciso sítio do nome, teu medieval nome. E, depois, o género feminino desse elmo, que é um magnifico Sábado permanente. Imagina, cintilações de uma vertigem trágica rasgam o peito a aventura, a horizontes incontornáveis. Pela margem da cultura a mim chegaste e agora, bem, agora é a galhofa de jogar às escondidas, o vestir, o calgar, a fantasia de tantos pequenos nadas, entradas subterrâneas, saídas de leão directas à turbulência do astral. Imagina, amizade me pediste - dou-te a noite, o alvor, sua leve frescura, intactas tardes. Agosto existe só para consolidarmos contra o cerco de inumeráveis águas sujas no subúrbio da inteligência. E tarde é para ter juízo e cedo...Ah, cedo o medo nos surpreenderá, de pueril. Eles ignoram a autentica demência de como sábado nos entrou nos ossos e ano sai: toco-te, escalda - ou apenas a um ritmo menos trepidante? Um amor que se vai adivinhando e, adivinhando, também indica o trilho do amor

Renata Camacho