Sérgio Potier O despedimento, o desemprego, acontece porque existem falhas de mercado. É portanto, um processo determinado pelas condições de mercado e não pelas escolhas do trabalhador ou do patronato, apesar da decisão de despedir ser da responsabilidade da entidade empregadora. Se uma empresa vê o seu negócio piorar por causa de uma queda de mercado (que envolve circunstâncias várias) pode tentar economizar através de cortes na despesa, por exemplo, em salários, mas estas não são nada comparadas com poupanças que podem ser feitas com o despedimento de pessoal. Sempre foi assim. Não é nada de novo. Ou seja, o estado parasitário da economia é atingido quando o valor de uso tende para o zero, e o valor de troca para o absoluto. A relação Mercantil, nestes casos, substitui-se à relação humana por diversos motivos. A cultura da concorrência não existe, ou melhor existe, mas a concorrência no mercado é imperfeita.. Por isso, o sonho de volta ao pleno emprego, como alguns defendem baseados na CRP não passa de um sonho. Daí os economistas chamarem à taxa natural de desemprego, a taxa média de desemprego de longa duração. Com o desemprego elevado os salários baixam e tendem a fazer descer a inflação. Só com políticas inflacionistas promovidas pelos governos, tendo em conta a teoria quantitativa da moeda, o desemprego pode baixar, e assim, diminuir as falhas de mercado. Não há outra saída. Falta-nos moeda própria. Através do BCE não vamos lá. Se um país quiser, por exemplo, manter o desemprego em 4% um governo terá de atingir uma inflação de 6%. Se quiser restringir a inflação a 2% terá de aceitar um nível de desemprego de 7%. É a curva de Phillips que nos mostra a relação entre níveis de inflação e de desemprego. Portugal, como uma pequena economia aberta ao exterior, para ter futuro, tem de por sua vez, de estar a coberto de um certo proteccionismo (protecccionismo moderado). P.S. Partilhar um jornal não implica estar de acordo com a orientação do jornal, porque todos os dias nos reproduzimos como um conjunto fraccionado. Lemos jornais e tomamos posições, ideológicas, partidárias ou não. Concordamos com determinadas opiniões e detestamos outras. Todavia, presumo eu, todos estes debates (em democracia) servem para perpetuar o colectivo, mesmo os que não defendem a democracia. Ser leitor ou articulista de um jornal é também ser participante, mesmo quando silencioso ou silenciado. Não me parece, salvo algumas excepções, que um jornal pluralista pretenda opiniões em uníssono. Até sempre.