Num problema transversal a toda a sociedade madeirense, reflexo naturalmente de um país defunto e de uma Europa em sufoco, o desporto madeirense caminha, a passos largos, para uma morte anunciada. Provavelmente ninguém esperaria tamanha devassidão, mas só os mais distraídos julgaram que tanta luxúria não iria ter fim. E foram esses, os mais desprevenidos, que mais facilmente serão arrastados na maré da desgraça. Mas, o mais caricato, a cheirar a enorme irresponsabilidade e a falta de sensibilidade para a coisa, prende-se com a atitude desprendida e despreocupada, assobiando para o ar, como os responsáveis desta Região vão vendo uma obra de 30 anos desmoronar-se. Sem a coragem assumida de dizer, cara na cara, olhos nos olhos, o que aí vem. O desporto, outrora bandeira da Região e de uma autonomia aos sete ventos cantada por um povo dito superior, pêndulo dos votos que ajudaram a manter o regime durante todos estes anos, de repente, desapareceu das opções e da prioridades de quem nos governa. Por falta de dinheiro? Claro, mas também por falta de um rigor e de um critério selectivo, arredios durante todo este tempo. E o que se lamenta é que o governo continue fazer de conta, mantendo a ilusão na mentira. No meio de toda esta tormenta – mesmo assim bem suportável, se comparamos aos problemas que nos assola ao nível do emprego, da saúde e da educação – Marítimo e Nacional sobreviveram mais uma época, nem se sabe bem como. Mas sobreviveram, lutando pelos objectivos a que sempre se propuseram, mesmo que os mesmos não fossem alcançados. E mesmo que, no caso alvi-negro, o objectivo desportivo propalado fosse mais ou menos um bluff, agora que se sabe que o clube não foi licenciado (ou não se licenciou, o que vem dar ao mesmo) na UEFA e, logo, estava impedido de participar na Liga Europa se tivesse logrado esse desiderato. Para o ano como será? No que concerne ao futebol profissional (às outras modalidades não se augura o céu), é a vez do Nacional estar calado nas dificuldades, aparentemente com a casa arrumada para a nova temporada, sem saídas e com entradas anunciadas. No Marítimo, a cujas eleições ninguém se arriscou, a voz tem falado mais alto. É a sua vez. Com um plantel, para já, mais desmoronado do que construído, com um estádio sem solução à vista e com decisões que levam para que essa solução tarde ainda mais, com queixas do governo e contra o governo, com problemas na FIFA. Aguentarão estes clubes mais um ano? Mais dois? A que nível competitivo? Também há que preveja uma próxima Liga portuguesa eivada de problemas a vários níveis. Há quem preveja clubes a fechar, na mais pessimista das previsões. Vamos esperar.

Emanuel Rosa