Existe uma linha - desenhada no asfalto rodoviário - que separa o trajecto dos veículos que vão para lá, daqueles que vêm para cá e que serve, entre outras coisas, para disciplinar o trânsito, para impedir um choque frontal e todo o tipo de acidentes desta natureza. Normalmente todos respeitam esta linha, não pisando o risco - excepção feita ás motorizadas que circulam no meio do tráfego como lhes apetece, passando “contínuos” como se fosse a coisa mais natural do mundo. E nós, nesta vida terrena, também temos um traço contínuo, que convém não ser ultrapassado ... devemos até, tentar conhecer onde está esse traço exactamente colocado - cada um deve saber do seu caso em particular - e saber assim também, onde estará esse limite, limite após o qual há riscos, de morbilidades ou até de morte súbita. Este artigo vem a propósito de duas ocorrências trágicas, durante uma prática desportiva de lazer, com praticantes de “meia idade”, que porventura desconheciam os seus limites e as suas reais capacidades orgânicas. E é muito triste morrer a fazer desporto ... e quando tudo isto acontece subitamente, sem quaisquer avisos prévios, mais desagradável se torna. Ainda mais quando existem mecanismos ao nosso alcance e conhecimentos médicos mais que suficientes, para evitar um desaire com estas proporções. O dinheiro gasto e investido no desporto, em instalações, em serviços, em técnicos, deve estar disponível para toda a população. Que o deve utilizar em seu benefício próprio, benefício da saúde do seu organismo - sabendo de ante-mão que uma prática desportiva, adequada, com limites estabelecidos e com regras, serve de proteção no aparecimento e na propagação de doenças crónicas ou doenças cardiovasculares. Mas na prática, não se passa bem assim, ... não se cumprem as regras, não se fazem os testes e os exames que ditam a aptidão ou a não aptidão para o esforço físico que é escolhido e pretendido. Corre-se assim o risco de passar o traço contínuo ... e depois de passar para o outro lado é difícil controlar o que pode acontecer. Tem havido recentemente reuniões, meetings, para discutir o futuro do desporto, os seus apoios futuros, como se dum problema novo se tratasse - mas afinal, se os governos não tratam da educação e da saúde das suas populações para que existem eles? Não é a Educação e a Saúde que servem de base para uma população saudável e culta e consequentemente trabalhadora e rentável? Pode-se prestar este serviço sem incluir uma actividade desportiva adequada? Vamos enfrentar as dificuldades que aparecem no dia a dia, com uma população analfabeta e doente? Se continuamos a construir um futuro, este tem de ser o melhor possível, olhando os nossos erros como uma forma de aviso á navegação, para poder corrigir e fazer melhor. As más notícias devem servir como exemplo, para se conseguir fazer publicar de seguida, notícias boas. Se pisamos o traço contínuo, corremos um risco de vida! Não vamos querer isso ... embora haja quem diga ... que há vida para além da morte!
José Manuel Morna Ramos