Fiquei espantadíssimo, no início deste mês, com a notícia de um jovem espanhol a quem retiraram uma prótese por falta de pagamento. Diziam as fontes que consultei que o jovem havia perdido uma perna num acidente e foi operado para colocação da prótese. Mais tarde recebeu uma conta que não pôde pagar e, não tendo aprovação da empresa fabricante do equipamento para uma cobrança mais adequada ao seu rendimento, submeteu-se a nova cirurgia para devolução da dita prótese. A saúde é o ganha-pão de profissionais directa ou indirectamente ao seu serviço. Razão que pesa na necessidade do seu pagamento. Falamos, no entanto, de pagamentos substanciais! Lisboa, que melhor que ninguém sabe o que custa a saúde pública, ordenou há algum tempo a aplicação de taxas moderadoras, co-responsabilizando o cidadão por essa despesa. Educam-se, assim, centenas de pessoas que usam abusivamente os hospitais públicos e que dificultam o atendimento aos verdadeiramente necessitados. Só faltou, talvez, apostar mais em meios para aqueles cujo problema é tão-somente a solidão, especialmente os idosos. As taxas aumentaram. E, mesmo com excepções previstas na legislação vigente, somos uma população empobrecida à qual com o tempo pesará mais e mais a saúde pública. Em circunstâncias diferentes, poderia ela ser paga só com os nossos impostos. Espero que, por falta de meios, não possamos vir a perder próteses ou coisa pior.
Carlos Diogo PereiraColaborador da AAUMa