Não sendo uma obra pública ou particular, a expressão “construir começando pelo telhado” assenta como uma luva no SESARAM, em especial nos cuidados primários. Vejamos: A atual gestão concentrou os recursos em obras intermináveis no hospital. Não há renovação de enfermeiros há 4 anos e muitos foram deslocados dos centros de saúde. A direção foi unificada em quem sempre trabalhou no hospital. As chefias privilegiam a “papelada” à prestação de cuidados aos doentes. O Enfermeiro de Família permite ganhos em saúde mas está bloqueado por um Secretário “complexado” com esta classe. Pela primeira vez em anos há um défice abrupto de médicos de família na Madeira. A estratégia parecer ser “entreter” os doentes com consultas de recurso por um médico que desconhece o doente, nas quais se espera desde muito cedo, sem certeza de atendimento pela tarde. Vamos em contracorrente com o resto do país. Aí criaram-se Unidades de Saúde geridas de forma autónoma e monitorizada, privilegiando o acesso e a qualidade do atendimento. Foram apadrinhadas tanto por ministros do PS como do PSD e o seu sucesso atraiu atenções em Espanha e Brasil. Dar autonomia aos profissionais, dificultando a gestão partidária centralizada, é um sacrilégio na Madeira! Mais exemplos: a remuneração médica implementada pelo atual ministro, relacionando-a com a produtividade, teve apoio dos sindicatos mas aqui foi ignorada. O IA-Saúde não deve esgotar-se como uma central de gestão de passivos mas voltar ao desígnio da promoção da saúde dos madeirenses. As receitas eletrónicas são mais seguras e poupam recursos. A Madeira espera por elas há 2 anos. É preciso centrar o sistema na satisfação do doente. Nem tudo está mal, muito pela dedicação dos profissionais mas a sustentabilidade não se atinge com cortes aleatórios nos fornecimentos mas com reformas comprovadas. Para que aconteçam é preciso, no entanto, reformar a atual classe política governativa da Madeira.

Mário Pereira