Depois de há vários anos, por mera miopia política alimentada pelos fundos europeus escoados para uma política de piscinas a mais, centros cívicos a mais, “promenades” e túneis a mais e obras de frente-mar sobredimensionadas, o Governo parece estar a recuar face ao surf e às diversas potencialidades que esta atividade traz para a Madeira. Depois de anunciada uma “reserva de surf”, o Governo Regional fez-se representar por dois secretários na apresentação do “1º Festival de Cinema de Surf da Madeira”. Depois de há anos esta atividade ter sido maltratada por questões de ordem política, o Executivo parece olhar com novos olhos para o surf e para o fenómeno que esta atividade está a ter na Madeira. E, entre outros, três ganhos podem surgir: aumento do fluxo de turistas/desportistas nacionais e estrangeiros para a Madeira; diversificação da oferta e rejuvenescimento do “público-alvo” que nos procura e, por último; apoio a uma atividade desportiva que entre os madeirenses ganha cada vez mais adeptos. O apoio ao surf (e claro, a outras atividades náuticas) é para uma ilha como a Madeira quase uma “obrigação”, voltando-nos para o mar como uma das potencialidades económicas e de lazer não apenas para os madeirenses como para os turistas. O apoio ao surf – e basta ver a quantidade de pranchas espalhadas pelas praias da Madeira – não é uma política de esquerda ou direita, conservadora ou liberal. É, antes de mais, uma questão de bom senso no aproveitamento dos recursos com que a natureza nos brindou. Congratulo-me com esta “marcha-atrás” do Governo e por esta nova abordagem face a esta atividade náutica. Mais vale tarde do que nunca. [email protected]

Luís Sena-Lino