1. A utilização abusiva dos meios públicos e do dinheiro dos contribuintes em iniciativas do PSD-M não é novidade. O certo é que não tem sido fácil provar as distorções à normalidade democrática. Desta vez, o périplo presidencial partidário por Santa Cruz fez-se à boleia do ‘carro preto’, como documentam fotos publicadas pelo DIÁRIO. Os cautelosos do regime distraíram-se ou julgaram que, por ser tão frequente, ninguém se aperceberia de mais uma patifaria? Já não há vergonha oficial ou os prevaricadores compulsivos sabem que contam de antemão com a cumplicidade da dita soberania e com a permissividade de quem devia fiscalizar a gestão da coisa pública?

2. Há mais de 500 funcionários públicos afectos aos gabinetes dos sete membros do executivo madeirense. São mais de 50 em cada departamento, quando há muito outro serviço público em desespero a precisar de recursos. Será preciso fazer mais algum estudo sociológico para perceber o que tem garantido vitórias sucessivas da social-democracia insular, algumas delas inexplicáveis?

3. O presidente do Governo foi à Festa da Cebola com casca fazer um comício partidário e deixar uma recomendação, no mínimo, hilariante. “Nós não queremos gente para a fotografia, queremos gente que trabalhe”, disse. O que é que Alberto João Jardim tem realmente feito nas últimas semanas? Aquele álbum diário no ‘JM’ com gente de todas as freguesias é prova de quê?

4. Se não fosse o olhar atento de quem sofre com a crise e conta os míseros cêntimos, hoje ninguém saberia que muita roupa doada à Caritas em 2010 estaria ainda em armazém e que, pior, mais de uma centena de sacos seguiria para o lixo, por conterem vestuário alegadamente contaminado com o esgoto derramado. Se a instituição que nos pede solidariedade é avessa hipocrisias porque razão não contou toda a verdade antecipadamente? Porque é que sabendo do problema não perspectivou outras soluções que não a humilhação pública de todos aqueles que doaram bens com a melhor das intenções? E porque é que a diocese do Funchal teima em ser um ‘case’ na arte de não comunicar?

5. Ainda deve haver benfiquistas na Madeira que se lembram da tese “que a melhor defesa é o ataque”. Aliás, uma equipa que passa a época a atacar e a notabilizar-se pela capacidade ofensiva não pode mudar de repente de paradigma pela simples razão que não foi treinada para defender resultados. A prova é que em todos os jogos decisivos em que Jesus se contentou com o pouco que havia alcançado tudo perdeu nos últimos instantes, sempre por 1-2!. Para aqueles que acreditam que no futebol há milagres e vitórias antecipadas, chegou o banho de humildade, a força do colectivo e a capacidade de liderança ou será que ainda julgam que basta a arrogância, essa mesma que nada ganha na “melhor época”?