Confesso que nutro especial afeição pelo projeto europeu e por esse sonho de construção de uma união europeia. Geracional? Não sei! Assim, a 9 deste mês, resolvi reler a Declaração Schuman. Do texto do então Ministro Francês dos Negócios Estrangeiros cito: “A contribuição que uma Europa organizada e viva pode prestar à civilização é indispensável para a manutenção de relações pacíficas.” (…) “A Europa não se construirá de uma só vez, nem pela concretização de um projeto global predeterminado: resultará, sim, de realizações concretas - criando em primeiro lugar solidariedades de facto.” Brilhante e visionário! Perante o exposto, coloco-me e coloco-vos algumas questões: Como reagiria Robert Schuman ao trajeto que a Europa tem feito nos últimos anos? Será que continuaria a defender este projeto? Será possível que esta União Europeia, formal e burocraticamente organizada, esteja a pôr em causa a manutenção de relações pacíficas no seu seio e, quiçá, no mundo? Onde param as realizações concretas que criam e fomentam “solidariedades de facto”? Estou convencido que Schuman não se reviria neste percurso europeu e, passados 63 anos, teria necessidade de proferir uma nova declaração para, outra vez, sublinhar a importância da “solidariedade de facto” ao serviço da “manutenção de relações pacíficas”. Lamento que os líderes dos Estados Membros de hoje não bebam do espírito dos fundadores europeus e prefiram assumir diariamente e a qualquer preço políticas financeiras egoístas como prioritárias nas suas agendas. Deste modo, fazem com que as gerações mais recentes não comunguem da minha afeição e cultivem valores individuais e nacionalistas eventualmente pondo em causa a pacificidade das relações no mundo.
Nuno Maciel