1. Todos os dias somos confrontados com novidades aterradoras que atropelam os mais elementares direitos adquiridos. Temos estado em permanente e dolorosa mudança de paradigma de vida. Conhecemos relatos incríveis da miséria humana. Os doentes têm cada vez mais dificuldade no acesso aos cuidados de saúde e faltam medicamentos nos hospitais, os reformados e os pensionistas tornaram-se no alvo predileto do governo. A máquina sôfrega e desumanizada que nos tritura é cega e sedenta de dinheiro. Não importa o destinatário nem as suas debilidades. Este governo perdeu a legitimidade. Desbaratou a confiança da população que o elegeu. E não percebeu que esse mesmo povo já não o quer lá, porque tudo que lhe foi prometido foi relegado para as calendas no dia a seguir às eleições. Estes senhores não sabiam ao que vinham. Recentemente numa manifestação de indignados que se realizou no Porto registei as palavras enraivecidas, ditas com alma por uma velha senhora: “Estou a lutar pelos meus netos desempregados e contra este governo de gatunos que nos estão a desgraçar”. Infelizmente, a grande maioria subscreverá estes termos, estou certo. 2. Nenhum povo pode ser livre e democrático se não tiver um jornal independente e plural. A notícia da dispensa de mais 28 colaboradores do DIÁRIO é muito preocupante e merece a reflexão de todos os que apreciam a liberdade de pensamento. A nossa terra está a ficar perigosa. Há riscos que não se podem correr. O momento é difícil em todas as áreas de atividade, mas a da imprensa livre tem de ser ferreamente preservada. Não quero imaginar uma Madeira sem este projeto centenário que, com erros é certo, mas com muito serviço público na bagagem, mostra à população o que se passa, sem filtros. O princípio de tudo reside sempre na liberdade. O resto, vem depois. 3. Foram tornadas públicas mais notícias que abanam severamente o estado da Justiça na Madeira. O juiz da secção regional do Tribunal de Contas (TC) tem sido violento para com o antigo representante do Ministério Público junto daquele órgão. Fez-lhe acusações graves no âmbito do alegado “protecionismo” a membros do governo regional, em casos que indiciam eventuais pagamentos indevidos a uma empresa privada, autorizados pelo governo de Jardim. Não é a primeira vez que o juiz do TC critica pública e severamente o anterior procurador, censurando o arquivamento de casos que segundo ele deveriam ter ido a julgamento, levando ao banco dos réus alguns dos atuais e antigos responsáveis políticos da Região. Aguardemos pela investigação da Procuradoria Geral da República. Estas denúncias públicas por parte do TC colocam em causa a confiança que os cidadãos têm no poder judicial, em sucessivos casos de alegado protecionismo a gente do governo. À justiça o que é da justiça, mas diz o povo sabiamente que, por norma, “onde há fumo há fogo”. 4. Recentemente um caso de polícia envolveu um sacerdote da diocese do Funchal, que se terá envolvido emocionalmente com um cidadão cubano. O escândalo rebentou quando começou o julgamento em tribunal. Juízos de valor e éticas provincianas à parte, a hierarquia da Igreja entra em pânico sempre que situações de natureza sexual envolvem um dos seus. Ainda não percebeu que no século XXI não pode continuar a privilegiar a hipocrisia e deixar que o tempo se encarregue de fazer o povo esquecer, como se nada fosse, silenciosamente. Esta postura dúplice da Igreja madeirense demonstra que não aprendeu nada com alguns “incómodos” do passado... 5. Um verdadeiro saco de gatos. É assim que está o PSD/M. O caso que envolve o líder parlamentar e o vice-presidente da Assembleia Miguel de Sousa demonstra que Jardim não tem mão no partido. Um caso rocambolesco de pretensas ofensas à integridade do ex-delfim proferidas pelo inenarrável Jaime Ramos, onde se misturam epítetos de fazer corar, não reproduzíveis nesta coluna. Até onde irá a paciência dos madeirenses para tolerarem a perpetuação da arruaça que domina o partido do poder?

Roberto Ferreira