A alegada escassez de moeda em circulação, a diminuição do dinamismo económico e a falta de confiança entre os agentes económicos são problemas –entre outros– que surgem ligados à crise em curso. Para fazer frente a problemas semelhantes têm surgido experiências locais/regionais, baseadas na criação e na introdução de novas moedas (em economias de pequena dimensão), devidamente reguladas por enquadramentos específicos. Em Itália foi lançando recentemente o “napo”, pela Câmara de Nápoles, uma moeda que não pretende substituir o Euro, apenas complementá-lo. Em França, na cidade de Nantes, a criação de uma moeda local, segue os mesmos intuitos e conta com financiamento europeu via Interreg IV B. No sul da Alemanha, desde 2003, em Prien, na Bavária, a 80 quilómetros de Munique, na denominada zona de Chiemgau, onde residem cerca de meio milhão de pessoas, nasceu o “chiemgauer”, que continua a ser o case studie mais popular das moedas regionais. De projeto escolar –o “chiemgauer”– passou a forma de pagamento e tornou-se numa moeda alternativa e propulsionadora do surgimento de outras moedas locais. Em 2008 existiam 28 moedas regionais na Alemanha e mais de 5.000 moedas complementares em todo o mundo. As moedas regionais, complementares ou alternativas têm em comum alguns objetivos nobres e que merecem a nossa atenção: dinamizam o comércio local e a confiança entre os agentes económicos, podem oferecer operações com taxas de câmbio fixas e em paridade com o Euro, ajudam a criar empregos, a promover a cultura, a sustentabilidade do consumo, em suma, não competem com as moedas globais, mas conseguem estimular de forma direta as economias locais/regionais, pois não visando a acumulação, privilegiam a velocidade de circulação e são assim um instrumento económico, que representa uma modalidade de “express-money” para as localidades/regiões em que circulam (conforme refere C. Gelleri, que está ligada à criação e à gestão do “chiemgauer”). Sabendo-se que o negócio do dinheiro está sob o feito de uma especulação brutal, privando e contorcendo muitos agentes económicos à escala planetária, pergunto-me, de modo muito objetivo, se a introdução de uma moeda regional numa pequena economia, como a madeirense, não seria uma hipótese equacionável, não com o intuito de ingressar no negócio do dinheiro (como é óbvio!), mas para incrementar o dinamismo microeconómico na região, sobretudo, por intermédio da promoção de comportamentos de base local mais solidários e sustentáveis. Sendo a inovação um fenómeno amplo e multidimensional, que se deseja aplicar também em contextos com uma escala reduzida, sou de opinião que equacionar a introdução de uma moeda regional bem poderia materializar o compromisso com os desígnios da inovação e visar outros objetivos bem importantes: a recuperação do comércio a retalho e o acelerar das indústrias culturais e criativas, tudo isto num ambiente potenciador do denominado terceiro setor. Num território pequeno e insular, que é desde logo uma vantagem para delimitar fisicamente o espaço de circulação de uma moeda regional, mas que simultaneamente está exposto à interação com o exterior, sobretudo, devido à idiossincrasia e à primazia do sector económico do turismo, imaginem-se as dinâmicas que a complementaridade de meios diversos, físicos e digitais, associados à introdução/circulação de uma moeda regional não seriam capazes de alavancar no tecido socioeconómico da Madeira…
Uma moeda regional
pergunto-me, de modo muito objetivo, se a introdução de uma moeda regional não seria uma hipótese equacionável