Tem razão o presidente da Câmara da Ribeira Brava quando diz que, comparado com a actividade dos autarcas, o trabalho dos deputados é uma brincadeirinha. Ismael Fernandes apenas constatou o óbvio e disse o que quase toda a gente sabe. Quase toda a gente menos os deputados do seu partido, sobretudo aqueles que apenas têm como missão sentar e levantar. Uma actividade, ou brincadeira, que também tem alguns exímios praticantes entre os eleitos pela oposição. A afirmação do autarca em fim de carreira política fez estremecer a bancada parlamentar do PSD e até o presidente do Parlamento, o mesmo que anda à procura de um artista para consultor parlamentar. Ofendidos com as críticas severas mas certeiras, os eleitos da maioria escreveram cartas e ameaçaram boicotar visitas à Ribeira Brava. Curiosamente, esta semana fizeram tudo o que podiam para demonstrar que ser deputado é, efectivamente, uma brincadeirinha comparado com o trabalho, bem ou mal feito, dos autarcas responsáveis. Não só voltaram a chumbar diplomas importantes da oposição, apenas porque são da oposição, como passaram os dias numa luta doméstica. Anda o povo com o credo na boca e a carteira na mão e eles a falar de processos internos, de queixas, de imunidades, de faltas ao trabalho. Nas três manhãs em que efectivamente trabalharam, foi isso que fizeram. Para isso, não precisamos da maioria dos deputados. Outra brincadeira não menos preocupante foi a estranha decisão da Cáritas em atirar ao lixo roupas que terão sido atingidos por um derrame de esgoto. Por mais voltas que se dê não se consegue entender este atitude. Até se pode compreender e aceitar a ingenuidade, mas choca a insensibilidade e a reiterada manifestação de falta de bom senso. Não se compreende a razão de armazenar roupa durante mais de três anos, quando fora do armazém há pessoas com necessidades. Não faz sentido. É como guardar iogurtes até depois do prazo quando as crianças passam fome. Para isso, não precisamos de instituições de solidariedade social. Esta semana rica em actividades circenses, para não dizer palhaçada, sem ofensa para os verdadeiros artistas, não ficaria completa sem uma referência directa ao palhaço. Rapidamente o país parou perante uma crítica do mais crítico dos críticos portugueses. E o imperturbável Presidente de todos os portugueses rapidamente esquece todos os outros portugueses e preocupou-se consigo. Esperneou e queixou-se e até o crítico voltou ao sítio. Típico. Longe das principais polémicas desta semana, esteve o presidente do Governo Regional. Ontem teve mais que fazer. Andou a reunir as tropas do seu partido passeando com carro, motorista e funcionários públicos. Tudo pago pelos contribuintes. Para isso não precisamos de presidente. Assim, ser chefe de governo também é uma brincadeirinha.