1. Os números do turismo na Região parecem ser animadores. O primeiro trimestre de 2013 fecha em alta, beneficiando do facto da Páscoa ter sido em Março e dos turistas estrangeiros continuarem a preferir temperaturas amenas. A ilusão do crescimento sempre disfarça outros males. Não houve fogo de artifício, mas soltaram-se alguns festejos pelo facto das dormidas subirem 8,2%, num período em que a taxa de ocupação se situou nos 47,1%, mais quatro pontos percentuais do que em igual período de 2012. Será que alguém reparou que os resultados também derivam da menor capacidade de alojamento, na ordem dos 4%, que derivam da Região só ter agora 154 estabelecimentos e cerca de 26 mil camas?

2. O regozijo continuou nalgum Turismo alienado porque os proveitos totais subiram 11,7% e o rendimento por quarto disponível foi superior em 20% ao registado um ano antes. Lamento informar mas o RevPar foi de 27,57 euros, valor miserável para um destino que se diz de qualidade e abaixo da média anual de 2012, que rondou os 31 euros. Mais, no melhor ano turístico, em 2008, o RevPar aproximou-se dos 37 euros, quando a oferta era de 196 estabelecimentos hoteleiros e de 28 mil camas. A preços de saldos será que os empresários da hotelaria madeirense conseguem pagar os custos fixos?

3. O mercado interno não está interessado na Madeira. No ano passado, a Região perdeu quase 19% dos turistas nacionais. Este ano já leva um rombo de 15,4%. Não chegam a 28 mil os hóspedes lusos entrados nos primeiros três meses de 2013. As quebras das viagens turísticas dos residentes no continente deve manter-se. As agências garantem que as vendas totais estão significativamente abaixo dos dois últimos anos. Se assim é, o que leva o Turismo a espatifar dinheiro em promoções neste mercado em agonia, teso e sem empatia pelo destino? Ainda há dúvidas que o nosso maior sector regional vive, há anos, sem estratégia?

4. Há frases que chocam. Sobretudo quando proferidas por quem não pensa antes de falar. Imaginem quem disse: "Precisamos de coisas novas, partidos novos, organizações novas, gente com ideias novas, e não de meninos que não fizeram outra coisa na vida senão política"? É esse mesmo, que não é novo, nem tem feito outra coisa na vida senão fingir que nada tem a ver com o estado a que isto chegou. Julgará ele ser coisa nova sobreviver politicamente ao abrigo do lema 'faz o que eu digo e não o que eu faço'?

5. Nacional e Marítimo falharam objectivos para a época que agora chega fim. Prometeram a Europa e ficaram-se pela ilha. Sócios e accionistas, adeptos e simpatizantes vão pedir-lhes contas ou deixar passar mais uma brincadeira com custos elevados numa temporada em que o Paços de Ferreira, com plantel e orçamento bem mais modestos, conseguiu um lugar de acesso à 'Champions'?