Os professores assumem um papel indispensável na nossa sociedade. Podemos falar do seu horário de 35 horas, das quais 22 são letivas, mais 4 de serviço na escola, todavia, antes de se falar dos professores, bem como de médias ou rankings, torna-se necessário definir primeiro que tipo de escola é que queremos. Se defendemos uma escola redutora e afastada da realidade, preocupada apenas com o ensino dos conhecimentos teóricos e programáticos das disciplinas, sem alternativa para os alunos que apresentem dificuldades de aprendizagem, problemas disciplinares ou contrariedades sociais graves, então, as 22 horas letivas dos horários dos professores limitar-se-ão ao tempo da sala de aula a juntar, naturalmente, as horas necessárias à preparação de aulas, em casa e na escola, à recolha de materiais pedagógicos, à elaboração dos testes, das fichas de trabalho e respetivas correções, à preparação da avaliação e dos mecanismos de recuperação para os alunos mais fracos. Se, por outro lado, ambicionamos uma escola que ajude a preparar o aluno a enfrentar a complexidade da vida num mundo globalizado e incerto, investindo em atividades estruturantes para o seu desenvolvimento integral, uma escola dinâmica, empreendedora, inclusiva e com visão de futuro; se decidirmos por um ensino que privilegie a prática e a aprendizagem do saber ser, estar e fazer, uma escola que garanta aos alunos não só a aprendizagem dos conteúdos teóricos das disciplinas, mas também a oportunidade de adquirirem competências pessoais e sociais, artísticas e criativas, assimilando um espírito atento e crítico à sociedade da informação e da comunicação, assim, o horário do professor exige outras responsabilidades e não se pode limitar às horas letivas dentro da sala de aula. Esta nova missão, que exige horas de intenso labor, estrutura-se, organiza-se e realiza-se em diversos espaços da comunidade escolar e no meio envolvente. Rui Caetano, Professor

Rui Caetano