Tenho estado inquieta. Quando a principal figura de Estado põe o sucesso de dossiers importantes para o país ao nível do divino, está tudo perdido, certo?
Será caso para que se comece a colocar os milhares de inscritos nos centros de emprego a rezar o terço, que a insistência em os pôr em formação para coisa nenhuma se calhar é chão para não dar uvas. Ou de os pôr a fazer peregrinações para Belém, não a terra de Jesus (não confundir com o desafortunado treinador do Benfica, já lá vamos), mas o palácio do Presidente da República. Dados os silêncios que lá se praticam, quando não há crises de espionagem, tem qualquer coisa de sagrado e, cada vez mais, de cerimonial. É preciso é que se abram as portas ao povo, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, a 25 de Abril, que não queremos cá engarrafamentos ou que se confunda o ajuntamento com manifestações, que isto é tudo gente ordeira, serena e crente, claro. E a Maria (não a nossa Senhora, mas a primeira-dama) poderia passar a ser uma espécie de conselheira espiritual, não só dos técnicos da ‘troika’, mas também dos sem emprego, que chegariam lá a pé, que os preços dos transportes estão cada vez mais pelas horas da morte. Ou de joelhos, para dar emprego a alguns enfermeiros, curadores de feridas, que seriam pagos em cestas de fruta.
Quero-me agarrar ao optimismo, mas estamos desgraçados, que o mês de Maio vai a meio, e a nossa senhora de Fátima não inspira todo o ano. O São Jorge, por seu turno, diz que combate dragões, o Benfica também e vejam lá o que lhe aconteceu. Nem com Jesus, nem à capela (más-línguas), nem mais perto do bairro vermelho, nem com todo o trabalho do Mundo. Diz que o clube está ‘embruxado’ e amaldiçoado por Bella Guttmann. E pode deixar sangue, suor e lágrimas em campo que de nada serve a não ser a vitória moral. Alguém devia ter levado a bandeira das águias para Belém e apelado à Maria, é o que é.
Ou perguntado a Alberto João Jardim o segredo para combater as feitiçarias. É que é recorrente o presidente do Governo Regional dizer que a Madeira precisa de ir à bruxa quando as coisas não lhe correm de feição. Será que Cavaco Silva o vai receber para lhe pedir conselhos do oculto? Haverá búzios em cima da mesa?
E nós, povo pobrezinho e honrado? A quem rezamos? Ao senhor dos Passos não será, por certo.