Os planos de ajustamento económico e financeiro, quer da Região, quer do país, tiveram, até agora, pouco de económico e muito de financeiro. Limitaram-se a cortar nas despesas, a propor cortes e a subir impostos. Todos percebemos que a situação de exceção em que vivemos, provocada pelo desastre que foi a governação de José Sócrates e do PS, exigiu medidas de excecionais. Todos entendemos que, dado o estado do país, era imperioso fazer sacrifícios, que nos permitissem equilibrar as contas públicas, tornar a nossa dívida sustentável e, assim, sonhar com um futuro melhor. Mas passados dois anos, é urgente que o Governo da República entenda que deve dar prioridade à Economia. Sem incentivos ao crescimento, às empresas, às famílias, ao investimento é impossível sairmos desta crise. Em Abril, o Sr. Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, apresentou um programa para o crescimento, que se alicerça na diversificação e criação de novas fontes de financiamento com o objectivo de fomentar as exportações e a competitividade das Pequenas e Médias Empresas. Estou expectante quanto aos resultados, embora me pareça que os princípios são acertados. Ao contrário, passar a mensagem de mais sacrifícios para colmatar falhas que podem ser assacadas ao comportamento da Economia europeia, mas também a previsões erradas feitas pelo Sr. Ministro das Finanças é que me parece ser profundamente errado, contribuindo para aumentar a recessão ao causar receios nos investidores e nos cidadãos. A última "gafe" do Governo da República, nomeadamente do Sr. Primeiro-ministro e do Sr. Ministro das Finanças, foi o anúncio de uma taxa a aplicar sobre as reformas, medida de uma flagrante injustiça, que o CDS-PP não pode deixar passar. Se, por um lado, o Governo procura passar a mensagem de que quer apostar na Economia, por outro anuncia mais cortes, o que acaba por ser profundamente incoerente. Chegou a hora da Economia. Chegou o tempo de fomentar o crescimento e de aliviar a carga sobre quem trabalha, sobre quem investe, sobre quem paga impostos.
Lino Abreu, Presidente da ACS
Lino Abreu