Em Democracia todos somos chamados a assumir responsabilidades na vida política. A eficácia do sistema assenta na participação activa dos cidadãos nas diversas instâncias do poder, por isso, periodicamente é auscultada a vontade popular através dos actos eleitorais em que os cidadãos votam em listas constituídas por cidadãos organizados em partidos ou movimentos, sustentados por ideias. É assim que o sistema democrático garante que o bem-comum é defendido, escolhemos e participamos em projectos para a nossa sociedade. É claro que tudo isto não ocorre sem que surjam contradições e sem que, no quadro dos permanentes jogos de poder e interesses dos grupos sociais, apareçam desvirtuamentos. É uma frase batida mas que continua a fazer todo o sentido, que a Democracia é o pior dos sistemas com excepção de todos os outros porém a correcção dos seus inúmeros defeitos só se faz com o alargamento da participação cívica.

O país todo e em particular, a Madeira com a sua sempre frágil e agora moribunda autonomia, é o exemplo de que quando os cidadãos se limitam a cumprir rituais vazios de ideias e a não viver consciente e responsavelmente os seus deveres de participação, o poder é tomado por grupos cujo único objectivo é satisfazer os interesses próprios. A crise que vivemos e o seu preço dramático em fome e insegurança são o resultado de termos deixado nas mãos de uns quantos, o poder que é de todos. Apesar das lições da História, continuou-se a acreditar que havia "D. Sebastiões" e de que a criaturas "iluminadas" não se pediam explicações, os resultados estão aí. Não há "salvadores da Pátria", há homens e mulheres que em conjunto, encontram soluções para os problemas.

Vejo com apreensão a onda de populismo e demagogia que invadiu o nosso quotidiano pré-autárquico em que se querem vender mais uns quantos "D. Sebastiões". Mais do mesmo! Em vez de confiar na capacidade de reflexão, de promover o debate de propostas e de conferir dignidade à participação democrática, investe-se no marketing partidário, na venda de candidatos, nas "imagens de marca" com "muitas peças de origem". Assim não vamos lá!

Isabel Cardoso, Professora

Isabel Cardoso