A Quinta Magnólia faz parte do meu universo de memórias, assim como do de uma geração de madeirenses que nela cresceram, a nadar, a jogar ténis, squash ou tão-somente gozando dos seus espaços verdes. Qualquer pessoa que por lá tenha passado, ultimamente, constatará o óbvio abandono a que este pulmão urbano foi votado, e que dará mais um enorme passo com a transferência para um local mais adequado dos serviços de proteção civil. Ouvi dizer que haveria um grupo de pessoas ligadas à prática do ténis e do padel que estaria pronto a recuperar os campos, sem qualquer custo para o erário público. Ouvi dizer que a presidência do Governo Regional teria achado a ideia interessante, mas que a vice-presidência tinha convenientemente "perdido" o processo numa gaveta (será um veto de algibeira?). Será que o desinteresse da vice-presidência se deve ao facto de, aparentemente, haver um grupo venezuelano interessado em transformar a quinta em mais um hotel? Será que foi por isso, e por este grupo parecer ser representado por um escritório de advocacia muito "próximo" do vice-presidente, que o processo "estagnou" numa secretária? Será que, mais uma vez, os interesses pessoais de alguns se vão sobrepor aos da população do Funchal? Como profissional de informação turística sou duplamente parte interessada, na medida em que uma quinta interessante e bem tratada é, necessariamente, mais um polo de atração - para além de que no seu interior se encontrarem espécimes fantásticos de flora nativa e exótica. Gostava de poder contar com a Quinta Magnólia de uma forma mais ativa que apenas na minha memória. Gostava que ela fizesse parte das memórias dos meus filhos e netos. Ou será que nós não merecemos isso? E se o Governo Regional não é capaz de olhar por esta pérola, talvez seja altura de a passar à Câmara Municipal do Funchal, que tem tido um papel muito mais relevante em termos ambientais…

Roberto Loja, [email protected]